“Carandiru” chega às telas como arrasa-quarteirão

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Publicado sexta-feira, 11 de abril de 2003 as 14:46, por: cdb

São histórias de ciúmes, rivalidades, amor e morte. Histórias de lealdade e traição, amizade e violência. Histórias humanas. Elas estão em Carandiru, longa-metragem de Hector Babenco, que estréia nesta sexta-feira em 250 salas do Brasil.

Para se ter uma idéia da proporção desse megalançamento nacional, Chicago, o musical que foi o grande vencedor do Oscar deste ano, teve sua estréia em 167 salas do País e Cidade de Deus, o filme brasileiro mais comentado de 2003, estreou em 99 cinemas, número que aumentou, depois, para 170.

O filme de Babenco é inspirado no best seller Estação Carandiru, de Drauzio Varella (365 mil exemplares vendidos em quatro anos de sucesso contínuo). As histórias que retrata, tão humanas, e no fundo bastante comuns, acontecem num palco este sim incomum – o maior presídio da América Latina, a Casa de Detenção de São Paulo, o popular Carandiru, hoje em parte implodido.

Nessa prisão, como se lembra, aconteceu o massacre de 111 presos, saldo macabro de rebelião de 1992 reprimida pela tropa de choque da Polícia Militar.

Na origem do livro está a experiência do cancerologista Drauzio Varella, levado ao presídio pela campanha de prevenção à aids e que lá acabou trabalhando por dez anos. Drauzio foi também médico de Hector Babenco, que enfrentou câncer linfático e, enquanto convalescia, acompanhava a feitura do livro. Curado, Babenco resolveu adaptá-lo para o cinema. E o fez em grande estilo. Filmou no presídio, em favelas, na periferia paulistana e nos estúdios da Vera Cruz. Reuniu elenco que mescla nomes conhecidos com outros menos. Não admitiu concessões na parte técnica e contratou centenas de figurantes para as cenas de multidão. O filme consumiu R$ 12 milhões na produção, uma fortuna para o padrão brasileiro.

Babenco tem dito que realizou um filme popular e não há por que duvidar de sua opinião. Carandiru não propõe nenhuma dificuldade maior de entrada para o espectador comum. Pede a ele apenas que se disponha a conviver por duas horas e pouco com um universo-tabu, o mundo carcerário, para lá descobrir alguma coisa que talvez ainda não saiba.