Carabineiros do Chile negam responsabilidade por morte de menor

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Publicado sexta-feira, 26 de agosto de 2011 as 09:33, por: cdb

SANTIAGO DO CHILE, 26 AGO (ANSA) – A chefia dos carabineiros (polícia militar) do Chile negou que algum policial de sua corporação tenha sido responsável pela morte do jovem Manuel Gutiérrez, que morreu baleado em um protesto nesta madrugada.
   
“Eu descarto completamente a participação dos Carabineiros”, afirmou o general Sergio Gajardo, segundo chefe da Zona Metropolitana de Carabineiros.
   
Segundo ele, não é correta a “versão dada por pessoas que estavam com ele de que havia passado um veículo pelo lugar onde eles estavam e esse veículo correspondia com não sei com quais características que eles atribuem a um veículo dos Carabineiros”.
   
O general ainda descartou a possibilidade de uma investigação interna nesse momento, já que “nós não temos dúvida” sobre a inocência dos carabineiros no incidente, justificou.
   
O governo do Chile, por sua vez, pediu que não houvesse especulação sobre a morte do garoto. O subsecretário do Ministério do Interior, Rodrigo Ubilla, pediu que as pessoas deixem “que as instituições funcionem” para investigar o ocorrido.
   
Segundo Ubilla, o juiz soube da notícia durante a madrugada e ordenou as primeiras diligências à Brigada de Homicídios da Polícia de Investigações (PDI). “O governo espera de forma decidida que se resolva de maneira rápida e se esclareça o sucedido diante o falecimento deste jovem”, acrescentou.
   
Nesta madrugada, o jovem Gutiérrez foi baleado no tórax na avenida América Vespucio, na cidade de Macul, na região metropolitana de Santiago, e levado a um centro de assistência, da cidade de Ñuñoa, também vizinha à capital chilena, onde faleceu.
   
Testemunhas, entre elas a irmã de Manuel, Jaqueline Gutiérrez, afirmam que os disparos partiram de um furgão policial a cerca de 300 metros do adolescente.
   
O prefeito de Macul, Sergio Puyol, relatou à rádio chilena Cooperativa que está “consternado”, “doído” e “surpreso com as declarações de sua mãe e de seu irmão”.
   
Segundo o prefeito e testemunhas, Manuel caminhava em uma passarela onde foi erguida uma barricada quando um veículo dos Carabineiros teria passado e realizado três disparos, um dos quais atingiu o garoto.
   
Puyol afirmou ainda que o garoto, cuja idade ainda não foi confirmada, era evangélico e conhecido por todos, e que, por isso, “existe um profundo sentimento de dor no bairro”.
   
Ontem foi o último dia da greve geral no Chile convocada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) em apoio às manifestações estudantis e para reivindicar redistribuição da riqueza gerada pelo “boom” do cobre no país e por uma reforma política.
   
Há mais de três meses, os estudantes e professores de universidades e do ensino básico realizam protestos contra o lucro na educação e por melhorias na qualidade do ensino. (ANSA)