Candidato de direita é favorito para as eleições da Guatemala

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Publicado sábado, 27 de dezembro de 2003 as 11:01, por: cdb

Os guatemaltecos vivem uma jornada de reflexão para o segundo turno das eleições presidenciais, que será realizado neste sábado, no qual o candidato da Grande Aliança Nacional (Gana), de direita, Oscar Berger, é apontado como favorito.

Berger foi o candidato mais votado no primeiro turno, no dia 9 de novembro, e disputará a Presidência com Álvaro Colom, candidato da Unidade Nacional da Esperança (UNE, de centro-esquerda).

Nessas eleições, nas quais o grande perdedor foi o general golpista José Efraín Ríos Montt, da Frente Republicana Guatemalteca (FRG), no poder, nenhum dos candidatos obteve os 50 por cento mais um dos votos válidos necessários para ser eleito presidente no primeiro turno.

Segundo a última enquete divulgada neste sádbado, Berger tem 58 por cento das intenções de voto, o que lhe dá uma vantagem de 16 pontos sobre Colom.

Esta é a segunda vez que Berger tenta chegar à Presidência, depois de sua derrota no segundo turno das eleições de 1999 para o atual presidente, Alfonso Portillo.

Ao longo do processo eleitoral, Berger esteve em primeiro lugar nas intenções de voto em todas as pesquisas.

No entanto, Colom, de 52 anos, acredita em uma surpresa nas eleições de domingo. Ontem, no encerramento de sua campanha, ele afirmou que “as enquetes estão sendo feitas para favorecer meu adversário”.

A campanha eleitoral se caracterizou pelos ataques e acusações mútuas entre os candidatos.

Tanto Colom como Berger prometeram aos eleitores criar empregos, combater a pobreza, que afeta 56,2 por cento dos 11,2 milhões de habitantes do país, e lutar contra a corrupção e a impunidade.

Segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira, 64 por cento dos guatemaltecos acreditam que sua situação pessoal vai melhorar durante o governo do próximo presidente, que assumirá o cargo no dia 14 de janeiro de 2004 para um mandato de quatro anos.

Diante do temor de uma baixa participação nas eleições de amanhã, diversas organizações sociais fizeram chamamentos para que os eleitores compareçam às urnas. Os quatro processos eleitorais realizados na Guatemala desde 1985 se caracterizaram por uma alta abstenção, especialmente no segundo turno.

No primeiro turno das eleições a abstenção foi de aproximadamente 42 por cento. O Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), que também realiza uma campanha maciça para pedir aos cidadãos que exerçam seu direito ao voto, assegurou que está tudo pronto para o pleito.

Para garantir a transparência das eleições, as missões de observação eleitoral da União Européia (UE) e da Organização dos Estados Americanos (OEA) espalharam mais de 200 observadores em todo o país.

O chefe da missão da OEA, o ex-presidente do Peru Valentín Paniagua, disse à EFE acreditar que o Governo tomará as medidas necessárias “para garantir que as eleições ocorram de maneira segura e ordenada”.

Cerca de 22.000 agentes da Polícia Nacional Civil (PNC) estão em alerta em todo o país para garantir a segurança dos cidadãos que forem às urnas. O Exército pôs à disposição das forças civis de segurança mais de 5.000 agentes para patrulhar de forma conjunta as fronteiras, portos e aeroportos do país.