Candidato apanha ao fazer campanha contra preconceito homossexual

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Publicado domingo, 22 de setembro de 2002 as 00:26, por: cdb

Alguns gaúchos costumam dizer que o Rio Grande do Sul “é terra de macho”. Mas o advogado e candidato a deputado estadual pelo Partido Progressista Brasileiro (PPB), José Antônio San Juan Cattaneo, que se auto-intitula o “Capitão Gay”, não pensa assim e faz de sua campanha uma luta para acabar com o preconceito contra os homossexuais.

Empunhando uma bandeira com as cores do arco-íris, símbolo do movimento gay em todo o mundo, o solitário capitão percorre o estado montado em seu cavalo para divulgar sua plataforma política. Mas nem sempre é bem-recebido.

Foi o que ocorreu nesta sexta-feira na tradicional festa de comemoração do feriado da Farroupilha – revolução ocorrida em meados do século 19 contra a cobrança de impostos e que teve Anita Garibaldi como uma de suas personagens.

O capitão gay apareceu, como sempre empunhando sua bandeira, montado em seu cavalo, e despertou a ira daqueles que comemoravam a data festiva com um desfile cívico.

Ao desfraldar sua bandeira de arco-íris, o capitão foi perseguido por seis integrantes do Movimento Tradicionalista Gaúcho e sofreu golpes de chicote no momento em que concedia entrevistas para a Rádio Gaúcha e a TV RBS.

Depois de levar alguns golpes, o humilhado capitão desmontou de seu cavalo, entrou em um táxi e escapou de levar uma surra, como haviam prometido seus algozes.

Após ser agredido, San Juan Cattaneo afirmou que teve que enfrentar “pseudo-revolucionários” e disse que “ninguém fez nada enquanto estava desfilando”, passando a agredi-lo quando desfraldou a bandeira do movimento gay.

“Na bandeira do Rio Grande do Sul está escrito liberdade, humanidade e igualdade. As pessoas que fizeram isso não sabem ler ou não entenderam o que estava escrito”, reclamou.

O presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), Manoelito Carlos Savarís, afirmou que não aceita proselitismo político.

Para Savarís, inimigo declarado do Capitão Gay, o MTG não é para promover ninguém e serve apenas para fazer um culto da história e da tradição, exigindo “que a pessoa se porte e se pilche (vista) adequadamente”.

O Capitão Gay também foi impedido de ingressar em um acampamento tradicionalista instalado no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, em Porto Alegre, no dia 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil, depois de percorrer os 255 quilômetros que separam Pelotas, sua cidade natal, da Capital.