Campeonato Brasileiro é sinônimo de confusão

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Publicado quinta-feira, 22 de maio de 2003 as 23:10, por: cdb

A pseudo-paralisação que atingiu o futebol do país por pouco mais de 24 horas está longe de ser a primeira confusão ao longo dos 33 anos de história do Campeonato Brasileiro. Infelizmente, as confusões criadas pelos cartolas costumam ter tanto destaque da mídia quanto os belos gols e jogadas produzidas pelos craques dentro das quatro linhas.

Já na primeira edição do Brasileirão, em 1971, os dirigentes desrespeitaram o regulamento. Estava decidido que o campeão da segunda divisão ascenderia à elite no ano seguinte, mas o Villa Nova, de Nova Lima (MG), acabaria sendo barrado no baile, mesmo com o número de participantes aumentando de 20 para 26 clubes. Já o Remo, vice-campeão da Segundona, obteve sua vaga.

O Brasileiro de 1974 seguiu sem maiores problemas até a decisão, disputada por Vasco e Cruzeiro. O regulamento previa que o jogo único da final seria realizado no Mineirão, por contra da melhor campanha da Raposa. Porém, o clube carioca se aproveitou de problemas ocorridos na partida Cruzeiro x Santos e, numa manobra de bastidores, levou o jogo para o Maracanã.

Em campo, o time de São Januário venceu por 2 x 1 e se tornou o primeiro carioca a levantar a taça da competição. E o time mineiro ainda tem a lamentar que um gol lícito marcado pelo volante Zé Carlos foi anulado pelo árbitro Armando Marques.

Mas a década de 70 na competição ficou marcada mesmo pela intervenção da política no futebol. O lema “Onde a Arena (partido que estava no poder) vai mal, mais um clube no Nacional” inchou a competição, sendo levado às últimas conseqüências em 1979, quando 94 clubes disputaram o campeonato.

Nesta edição, Guarani e Palmeiras, que haviam chegado à decisão no ano anterior, disputaram apenas as fases finais e poderiam ter conquistado o título jogando apenas sete partidas. Mas a taça ficou com o Internacional, que entrou em campo 37 vezes.

Outra característica marcante na competição: o calendário estica-e-puxa. Em 1973, 1977, 1986, 1988 e 2000, o Campeonato Brasileiro só terminaria no ano seguinte. Em 2000, a partida final seria disputada em 31 de dezembro, mas uma tragédia em São Januário – parte do alambrado rompeu, ferindo vários torcedores – acabou cancelando o jogo entre Vasco e São Caetano.

Na década de 80, o principal marco foi a criação da Copa União, em 1987. Os grandes clubes do país romperam com a CBF, criaram o Clube dos 13 e organizaram seu próprio campeonato, vencido pelo Flamengo.

No entanto, a CBF determinou a realização de um quadrangular entre o próprio Flamengo, Internacional (vice-campeão do Módulo Verde), Guarani e Sport (que disputaram a final inacabada do Módulo Amarelo), os dois primeiros clubes se recusaram a ir a campo e o time pernambucano ficou com a discutida taça, superando o Bugre em duelos de ida e volta.

Dois anos antes, o Bangu, que também disputara uma espécie de Segundona embutida na primeira divisão, conquistara o vice-campeonato – o título ficou com o Coritiba, que fez campanha irregular e terminou a competição com saldo de gols zero. O fato se repetiria em 1993, com o Vitória, e 2000, com o São Caetano.

Os absurdos são intermináveis. Em 1974, Fluminense e Nacional-AM foram à segunda fase porque tinham melhor média de público entre os eliminados; em 1988, Botafogo e Fluminense voltaram ao Maracanã apenas para uma disputa de pênaltis; em 1996, o Flu foi rebaixado, mas continuaria na primeira divisão. E que suba ao picadeiro a próxima atração no circo do futebol brasileiro.