Câmara investiga roubo de cargas e caminhões

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Publicado quinta-feira, 10 de abril de 2003 as 12:53, por: cdb

O presidente da subcomissão especial da Câmara que investiga o roubo de cargas e veículos, deputado Francisco Appio (PP/RS) afirmou, ao abrir nesta quinta feira a reunião para analisar e discutir os pontos pendentes do relatório final da CPI sobre o assunto, que a subcomissão vai atuar em dois campos: prevenção e repressão. “O que existe hoje é a convicção que o furto e o roubo de cargas estão vinculados ao narcotráfico. É moeda de troca”.

Segundo ele, a CPI nacional do narcotráfico conseguiu derrubar um dos pilares de sustentação da droga, que era a remessa do dinheiro. “As quadrilhas se obrigam a remeter para os cartéis no Paraguai, Bolívia e Colômbia, caminhões e veículos. Hoje, há uma facilidade para o assaltante transitar com caminhão roubado até a Bolívia, porque não há uma vinculação entre o motorista e o caminhão”, explicou o parlamentar, completando que o caminhoneiro não precisa justificar para autoridade alguma porque é que está dirigindo um caminhão de terceiro.

Para o deputado, um dos mecanismos para dificultar a ação das quadrilhas é o cadastramento dos aparelhos celulares pré-pagos. “Já existem leis estaduais que obrigam, na venda, o cadastramento do comprador. Milhares desses equipamentos foram vendidos sem ser cadastrados e fez a alegria da bandidagem, porque qualquer rastreamento determinado pela Justiça identificava o número, mas a pessoa de posse do aparelho não”. Appio acrescentou que serão analisadas as pendências, para verificar o que foi feito, quais os projetos legislativos oriundos da CPI que ainda não tramitaram, e propor a agilização e dar o primeiro passo.

A situação do roubo de cargas, de acordo com Francisco Appio, está crescendo cada vez mais, principalmente por ser a moeda de troca do narcotráfico. “As quadrilhas deixaram de assaltar bancos para assaltar os caminhões. Nos últimos 12 meses, houve um prejuízo de R$ 1 bilhão, além da morte de muitos motoristas”.

Francisco Appio defende a criação de delegacias especializadas neste tipo de roubo e disse que tem dedicado esforços para comprovar a eficácia do órgão. “Uma delegacia especializada é capaz de centralizar as informações e manter a memória das quadrilhas, porque elas só trocam de lugar e não de nome”, destacou o deputado, ressaltando que o melhor seria a criação de uma delegacia federal do roubo de cargas que estaria gerenciando a repressão em todo o país.