Cada “mundo” com o seu distúrbio

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Publicado quinta-feira, 13 de novembro de 2003 as 12:16, por: cdb

Essa semana as TVs da Inglaterra estão acompanhando passo a passo o julgamento de um homem que teria assassinado duas garotas com menos de 12 anos cada. Já na semana passada o caso era de um homem que estuprou e matou um garoto de 11 anos.

 

Mulheres violentadas e casos de adolescentes corrompidas por alguém na internet também são notícias comuns. Enfim, cada “mundo” com os seus problemas. Enquanto no Brasil temos casos de violência quase sempre ligados à pobreza e a ignorância, aqui, no “primeiro mundo”, os problemas são de desvio comportamentais, todos tidos como patologias mentais e isso cresce a cada dia.


Os crimes que acontecem aqui, roubos e assaltos, são quase todos relacionados ao consumo de drogas. Eles acontecem na periferia e ainda estão no estágio da arma de fogo estar quase sempre ausente.


Logo quando cheguei aqui fui assaltada. Virei a esquina de casa, às dez horas da noite, quando um garoto pegou a minha bolsa e saiu correndo. Como vi que ele não estava armado e parecia ter no máximo 15 anos, corri atrás dele. Três homens estavam saindo de um pub e viram o garoto passar e logo depois eu atrás dele. Perguntaram o que aconteceu e eu disse que ele havia roubado a minha bolsa. Todos correram atrás dele também.

 

Resultado: obtive a minha bolsa de volta e até achei graça da situação, me parecendo um tanto utópico.


Essa cena deve ter acontecido em São Paulo há uns vinte anos atrás, quando ainda se tentava recuperar algo roubado dessa maneira e nem todos os bandidos usavam arma.


A violência é diferente, mas existe nos dois “mundos”. É claro que em níveis diferentes também. Contudo, histórias de estupros, seqüestros, sumiços repentinos e assassinatos passionais são comuns em um país onde a impressão que temos é de que a falta de ter que se preocupar com dinheiro, escola para as crianças, comida etc. faz com que o ser humano desenvolva outro tipo de distúrbio, que acaba por acarretar em algum perigo para a sociedade.