Bush: “Vamos desarmar o Iraque”

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Publicado quarta-feira, 29 de janeiro de 2003 as 13:20, por: cdb

Em seu discurso perante sessão conjunta do Congresso norte-americano, o presidente George W. Bush disse que o secretário de Estado Colin Powell vai apresentar às Nações Unidas provas de que o Iraque possui armas de destruição em massa e tem ligações com organizações terroristas.

“Vamos desarmar Saddam Hussein”, disse o presidente, ressaltando que “confiar na sanidade do dirigente iraquiano e em sua contenção não é uma opção”. Bush falou de sua disposição em liderar uma coalizão para desarmar o Iraque, porém deixou claro que os Estados Unidos poderiam agir sozinhos.

“O curso desta nação não depende da decisão de outros”, disse.

Em seu discurso sobre o Estado da União, Bush também se referiu à remoção de Saddam Hussein da chefia do governo ressaltando, que o dia em que Hussein for removido será o dia da libertação do povo iraquiano.

“Não vamos negar, não vamos ignorar, não vamos transferir nossos problemas para outros congressos, outros presidentes e outras gerações”, disse Bush.

O pronunciamento de Bush foi considerado um dos mais delicados de seu governo, pelas dificuldades econômicas do país e por estar em jogo não apenas o apoio da opinião pública norte-americana como internacional à sua política com relação ao Iraque.

O influente senador Ted Kennedy imediatamete após o pronunciamento de Bush disse que irá propor uma moção forçando o governo a pedir autorização ao Congresso antes de qualquer ação militar contra o Iraque.

Kennedy se referiu à resolução anterior do Congresso, dando liberdade de ação a Bush. O senador disse que a realidade internacional agora é outra, os inspetores já estão atuando no Iraque e que, assim, o Congresso precisava ser ouvido antes de um ataque ao Iraque.

Questões domésticas
O presidente delineou quatro objetivos no campo doméstico: o fortalecimento da economia com a criação de novos empregos, aperfeiçoamento da assistência médica para todos os norte-americanos, a definição de um programa de benefícios para medicamentos destinados a idosos, e uma maior independência na área energética.

Bush deu uma ênfase sem precedentes à necessidade de um combate à proliferação da Aids e à ajuda a milhões de pessoas já contaminadas, sobretudo na África, onde o problema tem caráter epidêmico.

O presidente anunciou a formação de um novo órgão de inteligência, destinado a coletar e analisar informações nas áreas doméstica e externa.

O novo órgão terá sua base no quartel-general da CIA, o serviço secreto norte-americano, em Langley, Virginia, com o seu diretor, George Tenet, no comando.

Na frente internacional, embora referindo-se às prisões de terroristas que tiveram papel de direção na rede Al Qaeda, Bush deu ênfase à ameaça do Iraque no contexto da guerra já em curso contra o terrorismo.

“Hoje, o maior perigo da guerra contra o terrorismo … a mais grave ameaça enfrentada pelos Estados Unidos e o mundo … são regimes ilegais que buscam e possuem armas nucleares, químicas e biológicas”, disse Bush.

“Esses regimes podem usar tais armas para chantagem, terrorismo e assassinatos em massa”, continuou Bush. “Podem também dar ou vender essas armas a seus aliados terroristas, que as usariam sem a menor hesitação”.

O presidente norte-americano falou durante cerca de 60 minutos, na sessão conjunta do Congresso, iniciada às 9 horas da noite, hora local, diante de uma platéia de parlamentares, tanto democratas como republicanos, ainda não convencidos de que uma guerra contra o Iraque é justificada e necessária.

O pronunciamento de Bush foi realizado apenas um dia depois de o chefe dos inspetores de armas da ONU, Hans Blix, ter declarado ao Conselho de Segurança que o Iraque ainda não demonstrou “uma aceitação genuína” de sua obrigação de se desarmar.

Os inspetores da ONU, contudo, e a comunidade internacional, incluindo França, Alemanha, Rússia, China e, mesmo o Canadá, tradicional aliado dos Estados Unidos, defenderam a necessidade de mais tempo para compl