Bush ficaria “decepcionado” com veto da nova resolução pela Rússia

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Publicado segunda-feira, 10 de março de 2003 as 16:32, por: cdb

O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, disse que o presidente George W. Bush ficaria “decepcionado” se a Rússia vetasse uma proposta de resolução apresentada pelos Estados Unidos e a Grã-Bretanha ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e que estabelece a data de 17 de março como prazo para que o Iraque se desarme ou enfrente uma ação militar.

“O presidente ficaria realmente decepcionado se a Rússia vetasse. O presidente acharia que a Rússia perdeu a oportunidade de assumir uma importante postura moral de defesa da liberdade, e de evitar o risco de uma grande catástrofe em razão das armas de destruição em massa de (o presidente iraquiano) Saddam Hussein”, afirmou Fleischer.

“Até que a mão seja erguida e o voto pronunciado, não posso afirmar que o veto é 100 por cento certo. Mas o ministro das Relações Exteriores (russo Igor Ivanov) disse o que disse e isso tem um peso”, acrescentou.

Fleischer lembrou das crises humanitárias da última década e afirmou que o povo iraquiano poderia sofrer o mesmo destino se a ONU não agir.

“Vale lembrar o que aconteceu com o povo de Kosovo. Vale lembrar o que aconteceu com o povo de Ruanda. As Nações Unidas ficaram inertes em outras ocasiões enquanto pessoas morriam, e injustiça era cometida como resultado de vetos ou ameaças de vetos de outros países”, argumentou.

“E se eles (os russos) vetarem, o que é realmente uma possibilidade, isso seria, do ponto de vista moral, mais do que uma decepção. E decepcionaria milhões de pessoas em todo o mundo e, nesse caso, no Iraque, que merecem estar livres”, acrescentou.

Fleischer informou que o presidente, que não tinha compromissos públicos nesta segunda-feira, passaria a maior parte do dia telefonando para líderes mundiais – dos países membros do Conselho de Segurança e de outras nações – para conversar sobre o Iraque.

Até agora, Bush já telefonou para o primeiro-ministro do Japão, Junichiro Koizumi, e o presidente da China, Jiang Zemin.

“O presidente continuará a exortar os membros do Conselho de Segurança a votar no que acredita ser correto, e ressaltar que chegou o momento de eles se posicionarem pelo imediato desarmamento de Saddam Hussein”, disse.

O porta-voz afirmou que, ao contrário de uma idéia veiculada pelo presidente da França Jacques Chirac, Bush não pretende participar pessoalmente da votação da proposta de resolução nas Nações Unidas, nesta semana.