Bush e Kerry se atacam

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Publicado sábado, 9 de outubro de 2004 as 08:26, por: cdb

O presidente George W. Bush e o seu opositor democrata John Kerry divergiram bruscamente sobre o Iraque, empregos e impostos no segundo debate, nesta sexta-feira, com Kerry questionando a avaliação de Bush e o presidente acusando o senador de ceder sob pressão política.

Em um confronto por vezes irritado, os candidatos à Casa Branca andaram pelo palco para debater a decisão de lançar a guerra ao Iraque e repetidamente se acusaram de enganar os americanos.

– O mundo é um lugar mais perigoso hoje porque o presidente não fez a avaliação correta – disse Kerry no debate na Universidade Washington, acrescentando que Bush “tirou os olhos da bola” ao desviar sua atenção para o Iraque, enquanto o Irã e a Coréia do Norte desenvolviam programas nucleares.

Bush defendeu sua decisão de ir à guerra e atacou o histórico político de Kerry de forma agressiva, dizendo que a tendência do senador por Massachusetts de mudar de opinião conforme os ventos da política tornava-o um líder inadequado.

– Eu não vejo como você pode liderar esse país em uma época de guerra, em uma época de incertezas, se você muda de opinião por causa da política – disse Bush

Kerry negou que tenha mudado de opinião com relação ao Iraque e disse que Bush estava realizando uma campanha de “logro em massa”.

– Deixem-me dizer claramente: Eu nunca mudei de opinião sobre o Iraque. Eu realmente acredito que Saddam Hussein era uma ameaça. Eu sempre acreditei que ele era uma ameaça – disse.

– Esse presidente correu para a guerra, deixou de lado nossos aliados, e agora o Irã está mais perigoso, a Coréia do Norte está mais perigosa, com armas nucleares. Ele tirou seus olhos da bola, desviou-os de Osama bin Laden – disse Kerry.

Um Bush zangado chegou a cortar o moderador Charles Gibson para censurar Kerry por criticar o tamanho da coalizão que apóia os EUA no Iraque, dizendo que isso denegria aliados como a Grã-Bretanha e a Polônia.

Kerry respondeu dizendo que se todos os cidadãos do Estado do Missouri fossem uma força militar no Iraque, eles seriam o terceiro maior bloco depois dos EUA e da Grã-Bretanha.

– Isso não é uma grande coalizão – disse.

O encontro em St. Louis aconteceu em meio a um impulso crescente de Kerry, cujos ataques agressivos colocaram Bush na defensiva no primeiro debate e fizeram com que os dois ficassem empatados em várias pesquisas.

Bush foi mais agressivo desta vez e conseguiu colocar Kerry na defensiva com mais frequência, rapidamente mudando de tópicos.

PERGUNTAS DA PLATÉIA

O debate foi conduzido em um formato conhecido como “town hall”, onde os candidatos podem sentar-se em bancos ou andar pelo palco para responder às questões da platéia, composta por eleitores indecisos. Eles frequentemente respondiam às questões olhando um para o outro.

– Essa resposta quase me faz fazer uma careta – disse Bush a certa altura, provocando risos na platéia.

Bush desmereceu o relatório divulgado nesta semana do inspetor de armas Charles Duelfer, que disse que o líder iraquiano Saddam Hussein não havia reconstruído seu programa de armas de destruição em massa após a Guerra do Golfo (1991).

– Saddam Hussein era uma ameaça porque ele poderia ter dado armas de destruição em massa a terroristas inimigos. As sanções não funcionavam. A ONU não foi efetiva em remover Saddam Hussein – disse Bush.

Kerry disse que o objetivo das sanções não era remover Saddam, mas acabar com as armas de destruição em massa. Virando-se para Bush, ele disse:

– Sr. presidente, ontem mesmo o relatório Duelfer disse ao senhor e ao mundo todo que elas (as sanções) funcionaram. Ele não tinha armas de destruição em massa, sr. presidente. Esse era o objetivo.

Kerry citou um relatório sem brilho sobre empregos, divulgado na sexta, como a prova de que a economia andava fraca sob o governo Bush. A economia acrescentou apenas 96.000 p