Bush e Blair negociam nova resolução do Iraque

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Publicado quinta-feira, 20 de fevereiro de 2003 as 15:47, por: cdb

O presidente americano e o primeiro-ministro britânico tiveram uma conversa de 30 minutos pelo telefone para tentar chegar a um consenso sobre os termos da proposta para uma nova resolução sobre o Iraque, a ser apresentada na ONU pelos dois países.

A Casa Branca não disse se George W. Bush e Tony Blair chegaram a um acordo.

Paralelamente, líderes das igrejas Católica e Anglicana na Grã-Bretanha divulgaram um comunicado que questiona a validade moral de uma ação militar contra o Iraque.

Segundo o governo americano, a apresentação da proposta de segunda resolução ocorrerá nos próximos dias. No entato, pode haver um adiamento, possivelmente para a primeira semana de março, quando os inspetores de armas da ONU entregarão novo relatório ao Conselho de Segurança.

Igrejas

Outra razão para o adiamento é a contínua recusa da Turquia em permitir que tropas americanas usem o país como base. Os Estados Unidos se mostram cada vez mais frustrados com o que consideram intransigência turca em permitir acesso a suas bases.

Enquanto isso, em um comunicado conjunto, o arcebispo de Westminster, cardeal Cormac Murphy O’Connor, líder da Igreja Católica na Inglaterra e em Gales, e o arcebispo da Cantuária, Rowan Williams, líder da Igreja Anglicana, disseram que uma guerra traz inevitavelmente “um sensação de fracasso” e pediram que os inspetores da ONU tenham mais tempo para trabalhar.

Eles pediram que o governo iraquiano mostre total obediência à resolução da ONU sobre armas de destruição em massa.

Mas a declaração também afirma que uma alternativa moral às medidas militares não é a inércia.

“Os eventos recentes mostram que persistem dúvidas sobre a legitimidade moral, bem como conseqüências impevisíveis políticas e humanitárias de uma guerra contra o Iraque”, disseram os arcebispos no comunicado.

“É vital que todos os lados se comprometam, por intermédio das Nações Unidas – completa e urgentemente -num processo, incluindo inspeções de armas contínuas, que poderia e deveria tornar a tragédia de uma guerra desnecessária”, acrescenta o comunicado.

Significativamente, eles se distanciaram de pedidos para uma mudança de regime no Iraque, clamando, em vez disso, por uma resposta mais efetiva por parte dos iraquianos.

“Nós pedidos firmemente ao governo do Iraque que demonstre inequivocamente sua total obediência às resoluções da ONU”, afirma o comunicado.

Não é comum que os dois arcebispos divulguem um comunicado conjunto. Eles decidiram por essa medida num encontro de rotina dias atrás.