Bush deve declarar que o Iraque violou resolução da ONU

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Publicado quarta-feira, 18 de dezembro de 2002 as 23:52, por: cdb

Na quinta-feira, a Casa Branca deve declarar que o Iraque violou a resolução da ONU, que ordena ao país a completa revelação de suas armas de destruição em massa. As informações foram confirmadas por autoridades do governo americano. Em um encontro sobre segurança nacional programado para a manhã de quarta-feira, o presidente Bush deve decidir se declarará o Iraque “em violação material” das obrigações com a ONU, destacaram os representantes do governo.

As questões que se apresentam para Bush – particularmente se este é o momento adequado para declarar uma “violação material”, que poderia fornecer a Washington o que qualifica como uma justificativa legal para uma ação militar – foram discutidas detalhadamente em um encontro com seus assessores de segurança nacional na manhã de terça-feira (horário local), segundo informaram as autoridades.

Em entrevistas na noite de terça-feira, aquelas autoridades se recusaram a revelar quais opções o grupo havia decidido apresentar a Bush. Mas aparentemente havia o consenso de que o fracasso iraquiano em explicar o destino de seus programas de armas químicas e biológicas depois de 1998 – e sua alegação de que todos os trabalhos no desenvolvimento de armas nucleares foram encerrados uma década atrás – deveria ser caracterizado como provas de que o Iraque está engajado em “uma resistência não tão passiva” às inspeções da ONU, segundo colocou uma das autoridades.

Segundo as autoridades americanas de inteligência, o dossiê iraquiano não possui provas sobre o destino das armas químicas e biológicas identificadas pelos inspetores da ONU até 1998. Os representantes do governo americano não mostraram provas de que o Iraque possui armas nucleares, mas afirmam que o presidente Saddam Hussein teria adquirido os equipamentos que permitiriam a ele desenvolver estes artefatos.

Para as autoridades do governo, as violações iraquianas não deveriam ser descritas por Bush como uma causa imediata de guerra, mas que seriam apresentadas como uma “questão séria” e como provas de que o Iraque estava novamente tentando enganar os inspetores.