Bush declara que Iraque “pacífico” serviria como modelo para Oriente Médio

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Publicado quinta-feira, 27 de fevereiro de 2003 as 11:49, por: cdb

Washington (CNN) – Criar um Iraque “livre e pacífico” será uma tarefa difícil, exigindo “um contínuo compromisso” dos Estados Unidos e de outros países, mas um novo Iraque poderia servir como “um exemplo comovente e inspirador de liberdade” para todo o Oriente Médio, declarou o presidente norte-americano, George W. Bush, na noite desta quarta-feira.

“Qualquer futuro que os iraquianos escolham para si mesmo será melhor do que o mundo de pesadelo que (o presidente) Saddam Hussein escolheu para eles”, disse Bush em um discurso no American Enterprise Institute, em Washington.

Os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a Espanha afirmam que o Iraque desperdiçou sua última chance de se desarmar pacificamente.

Os três países tentam angariar o apoio de outros membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas para uma proposta de resolução que abriria o caminho para um ataque ao Iraque, liderado pelos Estados Unidos.

Bush comparou a reconstrução do Iraque à assistência dos Estados Unidos aos países europeus devastados pela Segunda Guerra Mundial, inclusive aos então inimigos Alemanha e Japão.

“Após derrotar os inimigos, nós não deixamos para trás forças de ocupação. Nós deixamos constituições e parlamentos. Nós estabelecemos uma atmosfera de segurança, na qual líderes locais responsáveis e reformistas poderiam construir instituições duradouras de liberdade”, disse.

Bush também afirmou que a comunidade internacional “tinha um claro interesse na propagação dos valores democráticos, porque nações livres e estáveis não engendram ideologias de assassinatos. Elas encorajam a busca pacífica por uma vida melhor”.

“Levar estabilidade e unidade a um Iraque livre não será fácil. Mas isso não é desculpa para deixar em operação o regime iraquiano das câmaras de tortura e dos laboratórios de venenos”, argumentou.

Horas antes do discurso de Bush, o primeiro-ministro da França, Jean-Pierre Raffarin, havia advertido que lançar uma guerra contra Bagdad antes de dar tempo à diplomacia seria “percebido como um ato precipitado e ilegítimo”.

França, Rússia e China – que detêm poder de veto do Conselho de Segurança das Nações Unidas por serem membros permanentes do órgão – são favoráveis ao prosseguimento dos trabalhos dos inspetores que buscam provas de armas de destruição em massa no Iraque.

Em entrevista publicada na edição desta quinta-feira na revista alemã Die Zeit, o chefe dos inspetores, Hans Blix, declarou que não estava totalmente claro se Bagdad queria cooperar.

“Por outro lado, esse país teve oito anos de inspeções, quatro anos sem inspeções e agora 12 semanas com elas. Seria este o momento certo para fechar a porta?”, perguntou.

“A coisa toda é um processo, que apenas se move centímetro por centímetro”, justificou. “Mesmo se o Iraque cooperasse imediata, ativa e incondicionalmente conosco, nós ainda precisaríamos de vários meses”.

Blix disse que seria necessário um “grande esforço” do Iraque para “esclarecer as dúvidas remanescentes sobre seu desarmamento”.

“Mas não acho que podemos dizer que (ainda) temos uma lista muito longa de questões pendentes”, acrescentou. “Nós saldamos cada passo, e tenho a impressão de que eles (os iraquianos) intensificaram seus esforços (de cooperação) recentemente”.

(Com informações da Associated Press)