Bush cita “arsenal do terror” de Saddam Hussein

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 8 de outubro de 2002 as 23:51, por: cdb

Advertindo sobre guerra, mas manifestando esperança na paz, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, fez um discurso, na noite de segunda-feira, em que citou o que chamou de “arsenal do terror” de Saddam Hussein e disse que o Iraque tem que se desarmar ou enfrentaria uma possível ação militar.

“O tempo de negar, enganar e retardar as coisas chegou ao fim”, disse Bush no Cincinnati Museu Center, no estado de Ohio. “Saddam Hussein tem de se desarmar ou – em nome da paz – teremos que liderar uma coalizão para desarmá-lo”.

O pronunciamento, transmitido pela televisão, veio em um momento crítico – em um mês, os eleitores norte-americanos irão às urnas para participar de eleições legislativas e o Congresso, nesta semana, está debatendo uma resolução autorizando o uso da força militar contra o Iraque.

Essa resolução, disse Bush, não deveria sugerir que uma ação militar é “iminente e inevitável”, mas apenas que os EUA estão falando com “uma voz”.

Também nesta semana, o Conselho de Segurança das Nações Unidas está analisando sua própria resolução sobre o Iraque.

O presidente norte-americano reiterou que Saddam violou resoluções da ONU impostas desde o fim da Guerra do Golfo Pérsico, em 1991.

Tendo como pano de fundo uma imagem do globo terrestre, Bush vinculou o Iraque, em seu discurso, a várias organizações terroristas, incluindo Al Qaeda, e descreveu o que chamou de esforços de Saddam para estocar armas de destruição em massa, incluindo o desenvolvimento de um programa nuclear para fins militares.

A Casa Branca divulgou imagens de satélite que, de acordo com Bush, demonstram que “o Iraque está reconstruindo instalações que haviam sido parte de seu programa nuclear no passado”.

Sem citar nomes, o presidente parecia responder a críticos que afirmam que a Casa Branca não conseguiu explicar por que Saddam representa tanta ameaça e justamente nesse momento e por que ações devem ser contempladas.

“Se nós soubermos que Saddam Hussein tem hoje armas perigosas – e nós o sabemos – faria algum sentido que o mundo esperasse para confrontá-lo, enquanto ele se torna mais forte e desenvolve armas ainda mais perigosas?”, perguntou Bush.

Em outro trecho de seu pronunciamento, o presidente disse: “Diante da clara prova de perigo, nós não podemos esperar a prova final – a arma fumegante – que poderia vir como uma nuvem em forma de cogumelo”.

Bush afirmou ainda que os ataques de 11 de setembro de 2001 mostraram a vulnerabilidade dos EUA aos terroristas e àqueles que os financiam.

Posteriormente, o presidente delineou medidas específicas que Saddam tem de adotar para evitar “qualquer conflito”.

Saddam Hussein, segundo Bush, deve “declarar e eliminar todas as armas de destruição em massa, de acordo com as resoluções da ONU; pôr fim a seu apoio ao terrorismo; cessar a perseguição de sua população civil; acabar com todo o comércio ilegal à margem do programa da ONU de petróleo-por-alimentos; divulgar os nomes ou prestar esclarecimentos sobre todos os desaparecidos na Guerra do Golfo, incluindo um piloto norte-americano”.

“Eu espero que isso não requeira uma ação militar, mas pode ser que seja preciso”, completou Bush, que fez seu discurso no primeiro aniversário do início da operação militar dos Estados Unidos no Afeganistão.