Bush autoriza CIA a ampliar assassinatos no exterior

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Publicado segunda-feira, 16 de dezembro de 2002 as 00:24, por: cdb

O governo Bush preparou uma lista de líderes terroristas que a CIA está autorizada a matar se a captura for impraticável e a morte de civis puder ser minimizada, informaram autoridades militares e da agência.

A lista anteriormente sigilosa de alvos da CIA inclui os principais líderes da Al-Qaeda, como Osama bin Laden e seu principal auxiliar, Ayman al-Zawahiri, e outras figuras principais da Al-Qaeda e de grupos terroristas afiliados, disseram os oficiais.

O presidente Bush concedeu autoridade legal por escrito à CIA para perseguir e matar os terroristas sem pedir a aprovação cada vez que a agência estiver para iniciar uma operação.

Um porta-voz da Casa Branca se recusou a discutir a lista ou questões envolvendo o uso de força letal contra terroristas. Um porta-voz da CIA também se recusou a fazer comentários sobre a lista.

Apesar da autoridade dada à agência, Bush não evitou a ordem executiva proibindo assassinatos, disseram oficiais. A autoridade presidencial para matar terroristas define os agentes da Al-Qaeda como combatentes inimigos e, portanto, alvos legítimos para a força letal.

Bush lançou um decreto depois dos ataques de 11 de setembro em Nova York e Washington, concedendo a autoridade executiva e legal básica à CIA para matar ou capturar líderes terroristas. Inicialmente, a CIA usava essa autoridade para buscar líderes da Al-Qaeda no Afeganistão.

Essa autoridade foi a base para a CIA e o empenho militar para matar Bin Laden e outros líderes da Al-Qaeda e vários líderes do Taleban. A mais nova lista representa um empenho ampliado da CIA contra um número maior de agentes da Al-Qaeda fora do Afeganistão.

O presidente não é requerido legalmente para aprovar cada nome adicionado à lista, e a CIA não deve obter aprovação presidencial para ataques específicos.

Em novembro, a CIA matou um líder da Al-Qaeda no Iêmen. Uma nave Predator telecomandada pela CIA disparou um míssil antitanque Hellfire em um carro no qual estava Qaed Salim Sinan al-Harethi, também conhecido como Abu Ali. Harethi e outras cinco pessoas, inclusive um agente suspeito da Al-Qaeda com cidadania norte-americana, foram mortos. Harethi provavelmente estava na lista de líderes da Al-Qaeda que a CIA tinha autorização para matar. Depois dessa operação no Iêmen, oficiais americanos disseram que não era necessária a autorização de Bush para aprovar a missão antes do ataque.

Oficiais da inteligência disseram que o decreto presidencial autorizando a agência a matar terroristas não estava limitado aos nomes da lista.

Os oficiais disseram que a CIA, trabalhando com o FBI, com o exército e com governo estrangeiros, tentaria prender terroristas quando possível e levá-los sob custódia. Agentes de contra-terrorismo preferem prender líderes da Al-Qaeda para interrogatório, se possível.

Sob a lei da inteligência, o presidente tem que assinar um decreto para dar base legal para que ações secretas sejam realizadas pela CIA. O processo de tomada de decisão se tornou uma revisão altamente formalizada na qual a Casa Branca, o Departamento de Justiça, o Pentágono e a CIA participam. O governo deve notificar líderes do Congresso de qualquer decreto de ação secreta assinado pelo presidente.