Bush abraça Putin e diz que EUA agora são amigos da ex-União Soviética

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Publicado domingo, 21 de outubro de 2001 as 19:30, por: cdb

XANGAI – O presidente dos EUA, George W. Bush, elogiou em discurso no encerramento da reunião anual do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, na sigla em inglês) em Xangai, na China, o papel “significativo” da Rússia na coalizão internacional de combate ao terrorismo, principalmente no que diz respeito ao intercâmbio de serviços de inteligência. Bush, que chamou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, de “amigo”, lembrou que Putin ligou para ele imediatamente após os atentados para manifestar solidariedade aos americanos. Bush ressaltou ainda que os países precisam ir além da Guerra Fria.

– Nós precisamos realmente e finalmente ir além da Guerra Fria. Nas semanas que se seguiram as atentados terroristas, os EUA e a Rússia precisam aproveitar o momento para construir uma relação construtiva – disse Bush em discurso na Apec ao lado de Putin.

Já Putin assinalou ainda em discurso ao lado de Bush que os países avançaram nas discussões sobre o Tratado de Mísseis Antibalísticos. Ele afirmou que a Rússia está “disposta a discutir” o futuro do tratado firmado pelos dois países em 1972, mas ressaltou que mantém a posição contrária ao escudo antimíssil. Putin reiteirou no entanto o apoio da Rússia à coalizão antiterror, classificando a operação americana no Afeganistão como “adequada e na medida certa”.

O presidente George W. Bush afirmou ainda que as duas potências precisam ter meios para enfrentar a ameaça terrorista de países, como o desenvolvimento de mísseis balísticos de longo alcance. Esse foi um dos argumentos para convencer o presidente russo Vladimir Putin que o tratado antibalístico de 1972 estaria obsoleto.

O clima de cordialidade e forte aproximação entre os dois ex-inimigos da Guerra Fria já se manifestara na reunião que tiveram mais cedo num hotel paralelo às discussões da Apec. Os líderesis sentaram à mesa para discutir esforços antiterroristas e bases para uma nova estratégia que inclui o controle de armas. Com a China, antigo inimigo, a situação tem sido semelhante: o presidente chinês Jiang Zemin deu apoio incondicional à ofensiva antiterror.