Britânicos de Guantánamo terão julgamento militar

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Publicado terça-feira, 28 de setembro de 2004 as 10:23, por: cdb

Os quatro britânicos presos na baía de Guantánamo enfrentarão tribunais militares dentro de um mês, disse nesta terça-feira o jornal Guardian. Segundo o jornal, documentos militares dos Estados Unidos dizem que os quatro não terão advogados, terão direitos limitados de convocar testemunhas e serão considerados combatentes inimigos. Os casos serão ouvidos por três oficiais militares dos EUA, afirmou o jornal.

Em um raro desacordo com os EUA, a principal autoridade jurídica da Grã-Bretanha condenou os planos dos tribunais militares.

– Ao mesmo tempo em que devemos ser flexíveis e estar preparados para aceitar alguma limitação de direitos fundamentais, se justificados e proporcionais, há certos princípios em que não pode haver acordo – afirmou o procurador-geral britânico, lorde Goldsmith, em discurso em junho.

– Nós no Reino Unido não somos capazes de aceitar que os tribunais militares dos EUA…oferecerão garantias suficientes de um julgamento justo de acordo com os padrões internacionais – ressaltou.

Se forem realizados, os julgamentos serão um golpe para o primeiro-ministro Tony Blair, que teria pedido para o presidente dos EUA, George W. Bush, mandar os quatro britânicos de volta para casa.

O gabinete de Blair recusou-se a comentar se o apelo foi feito diretamente a Bush, mas um advogado de um dos detidos disse que o pedido apareceu em documentos do governo registrados na Justiça.

O Ministério das Relações Exteriores britânico não comentou a reportagem do Guardian, mas disse que sua posição sobre Guantánamo continua a mesma:

– Na ausência de uma perspectiva de julgamento justo e consistente com os padrões internacionais, os detidos britânicos deveriam ser mandados de volta – declarou uma porta-voz.

Washington afirma que os quatro cidadãos britânicos – Feroz Abbasi, Martin Mubanga, Richard Belmar e Moazzam Begg – representam uma ameaça de segurança. Outros cinco britânicos foram libertados de Guantánamo em março e liberados pela polícia britânica um dia depois, sem acusações.