Brics prometem cooperar para superar crise na Europa, mas plano fica sem detalhes

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Publicado sexta-feira, 23 de setembro de 2011 as 07:21, por: cdb

Brics prometem cooperar para superar crise na Europa, mas plano fica sem detalhes

Por: Redação da Rede Brasil Atual

Publicado em 23/09/2011, 10:04

Última atualização às 10:04

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São Paulo – Ministros de Finanças e os presidentes dos bancos centrais dos países emergentes que formam o chamado Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – não definiram ações para ajudar a contornar a crise da dívida da zona do euro. A disposição de traçar um plano de cooperação foi reafirmada, após o agravamento da instabilidade nos países desenvolvidos.

A reunião ocorreu na quinta-feira (21) em Washington, capital dos Estados Unidos, na véspera das assembleias anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. Os organismos multilaterais eram, até a década passada, as principais instâncias a quem recorriam países em crises de dívidas, como a que passou o Brasil nos anos 1980 e 1990, por exemplo. Agora, as esperanças residem também no G20, que reúne os países ricos e os principais emergentes (incluídos os cinco Brics).

Nesta semana, o risco de moratória por parte de países da zona do euro se agravou, com sinais de que os bancos da região podem enfrentar dificuldades severas por terem boa parte de seu capital em títulos de dívida dessas nações.

O ministro das Finanças da Rússia, Alexey Kudrin, disse que os Brics falam em “cooperação” com os europeus no enfrentamento do problema. A ideia de “ajuda” ou de “assistência” ficou de lado. A torcida de governos do Velho Continente era de que os países emergentes, que têm puxado o crescimento mundial e passado quase imunes às baixas da economia global desde 2008, pudessem anunciar aumento do volume de reservas internacionais em euros. Isso não ocorreu.

Uma nota oficial conjunta dos cinco países, publicada após o encontro, fala em “preocupação crescente” com a instabilidade europeia em decorrência do “clima de incerteza para o crescimento mundial”. O texto ainda critica a “excessiva volatilidade dos fluxos de capital e dos preços das matérias-primas” decorrentes de políticas de injeção de dinheiro na economia para combater a crise.

Na prática, o problema citado envolve variações abruptas no câmbio desses países – com exceção da China, que controla a cotação de sua moeda e o fluxo de capitais – e no preço de commodities, matérias-primas de origem agropecuária e mineral cotadas internacionalmente (como carne, soja, açúcar, minério de ferro etc.). Tanta oscilação é prejudicial às exportações dos países emergentes.

Cientes de que uma recessão prolongada nas nações ricas, principais destinos dos produtos exportados pelos, irá atrapalhar a economia dos países emergentes, os ministros dos Brics defenderam que se buscassem soluções ao “problema imediato”, de “devolver o crescimento aos países desenvolvidos”. 

A indicação é de que uma eventual ajuda mais direta virá por meio do FMI e de outras instituições financeiras internacionais. No caso do Brasil, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, havia defendido a necessidade de rapidez, ousadia e cooperação da parte dos europeus para pôr fim à instabilidade financeira.

A pressão sobre a Europa decorre do fato de que, diferentemente de 2008, quando o centro da crise foram os Estados Unidos, atualmente o drama maior está na União Europeia.

O G20, divulgou comunicado com a promessa de buscar a manutenção daestabilidade financeira e disse que os bancos centrais estão prontos para fornecer liquidez aos bancos, se necessário.

Com informações do OperaMundi e Reuters