BRICs ajudaram países mais pobres durante a crise, diz artigo da britânica Economist

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 19 de março de 2010 as 11:38, por: cdb

Uma matéria publicada na edição desta sexta-feira da revista britânica The Economist afirma que os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) ajudaram países mais pobres durante a crise econômica mundial.

Citando uma pesquisa da organização britânica Instituto de Desenvolvimento Internacional (ODI, na sigla em inglês), a revista destaca a contribuição crescente dos BRICs a países pobres e o impacto dessas contribuições à perspectiva de crescimento econômico dessas nações.

– Com os países pobres saindo da recessão e o mundo rico se debatendo, países grandes de rendimento médio estão vendo uma oportunidade única para ganhar amigos e influenciar pessoas –, afirma a revista.

Segundo a revista, a pesquisa destaca que o processo de ajuda dos Brics pode ser direto – através de comércio, remessas, investimentos – ou indireto, com influência nos preços das commodities, por exemplo.

O texto cita que a China é o maior doador do Camboja e Sri Lanka. De acordo com a Economist, o Sudão procurou o governo chinês e também a Índia quando precisou de ajuda e o Brasil já teria investido US$ 10 bilhões no continente africano desde 2003.

– Desde 2009, os negócios dos BRICs na África se tornaram uma enchente –, diz o texto.

A matéria destaca ainda que as exportações dos países pobres para nações ricas caíram mais rapidamente – 17% entre 2008 e 2009- , do que para os mercados emergentes, com queda de apenas 7% no mesmo período.

Mas, segundo a revista, essas ajudas não têm efeitos apenas positivos para as economias pobres.

Segundo a Economist, os novos negócios podem diminuir os valores das trocas comerciais, já que os BRICs importam mais algodão e cobre, enquanto as nações ricas tendem a importar mais produtos manufaturados. Além disso, a revista alerta que o interesse da Índia e da China na importação de matéria-prima pode ajudar a diversificar os mercados de exportação, mas prejudicaria a diversidade da indústria das economias mais pobres.

A Economist avalia, no entanto, que os países pobres teriam sofrido muito mais com a crise não fossem as ajudas vindas dos Brics. De acordo com a revista, no entanto, apenas a ajuda financeira não ajudará a África, por exemplo, já que “a busca por bons governantes continua”.