Brasileiros se dizem bem preparados para a São Silvestre

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Publicado terça-feira, 30 de dezembro de 2003 as 19:58, por: cdb

Os corredores brasileiros vão desafiar o poderio queniano na 79ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre, que será disputada nesta quarta à tarde em São Paulo, no encerramento do calendário esportivo de 2003.

Marilson Gomes, Franck Caldeira, Rômulo da Silva, Maria Zeferina Baldaia e Sirlene de Pinho fizeram preparação em altitude para buscar fôlego e resistência para a corrida de 15 quilômetros, que terá largada para a categoria feminina às 15h15 e para a masculina às 17 horas. As duas competições serão transmitidas ao vivo pela Rede Globo e TV Gazeta. A prova para os atletas especiais começa às 15 horas.

Vice-campeão do ano passado e ganhador de duas medalhas nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo (prata nos 10 mil e bronze nos 5 mil metros), o brasiliense Marilson Gomes dos Santos treinou 25 dias na cidade paulista de Campos do Jordão, treinando entre 1.600 e 2 mil metros de altitude.

Nesse período, foi à São Paulo apenas para vencer, em dezembro, a tradicional prova Sargento Gonzaguinha. Ele disputaria também a corrida de São Silveira, em Barueri, na Grande São Paulo, mas desistiu em consequência de dor no tendão de Aquiles.

– Preferi não forçar e, com isso, não agravar a lesão. Estou muito contente com meu período de treinamento em Campos do Jordão e tenho certeza de que estou melhor preparado do que no ano passado – disse o atleta de 26 anos. “Meu único problema será a falta de ritmo, já que a São Silveira estava na minha programação justamente para me deixar em forma também de competição.”

O mineiro Franck Caldeira, de 20 anos, passou um mês em Cochabamba, na Bolívia, treinando a 2.600 metros de altitude. Ele completou a preparação em Petrópolis, cidade serrana do Rio de Janeiro, onde mora. “Estou me sentindo muito bem e acho que posso ter um bom desempenho”, comentou o corredor, que venceu a Volta Internacional da Pampulha, em Belo Horizonte, e foi vice-campeão da Sargento Gonzaguinha.

– Voltei da Bolívia e vim correr em São Paulo e me senti um pouco preso. Agora não. Fiz uma preparação mais cuidadosa em relação à do ano passado, quando acabei forçando o ritmo, não fiz a adaptação necessária e acabei desistindo da corrida.

Já Rômulo Wagner da Silva buscou melhores condições em Taipa, na Colômbia. Os treinos de rua foram feitos a 3 mil metros de altitude e os de pista, a 2.600 metros. “Nunca havia feito um trabalho como esse e estou surpreso com a eficácia desse processo. Fiquei lá sete semanas e nesse tempo venci uma prova em Cali”, lembrou o fundista de 26 anos, que voltou 2ª feira ao Brasil. “Acho que estou na melhor forma de minha carreira.”

Dos três corredores, que desafiarão a força dos quenianos Robert Cheruiyot, atual campeão da prova, Martin Lel, campeão da Maratona de Nova York, Philip Rugut, bicampeão da Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro, entre outros, Marilson está com um objetivo mais ambicioso.

Além de vencer a São Silvestre, feito que os brasileiros não conseguem desde 1997, quando Emerson Iser Bem ganhou, o brasiliense quer tentar o índice para disputar a Maratona de Atenas, em 2004. “Acho que posso correr a prova em torno de 2h08min e assim disputar a Olimpíada, que é um sonho”, disse o corredor, que é especialista em 5 mil e em 10 mil metros.

Zeferina e Sirlene vivem contrastes

A mineira Maria Zeferina Baldaia, campeã da São Silvestre de 2001, quer salvar “ano difícil” na São Silvestre, enquanto a baiana Sirlene de Pinho busca consolidar uma grande temporada. Zeferina perdeu boa parte do ano em tratamento contra uma anemia profunda e por problemas de over trainning (excesso de treinamento). “Meu ano foi muito complicado. Sofri com o desgaste dos treinos e competições e precisei ficar sete meses em tratamento. Ainda estou com um pouco de anemia, mas sob controle”, comentou a corredora, que passou a ser orientada este ano pelo médico e técnico Henrique Viana. Por recomendação do treina