Brasileiros são presos na Espanha por curandeirismo

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Publicado segunda-feira, 28 de janeiro de 2008 as 17:07, por: cdb

Oito brasileiros foram presos na última sexta-feira na ilha espanhola de Palma de Mallorca acusados de fraude por anunciar curas milagrosas. De acordo com a polícia, a operação chamada de Vodu Brasil acabou com uma rede de curandeiros e videntes que atuava na Espanha há quatro meses.

A quadrilha foi detida com 125 mil euros (cerca de R$ 330 mil) em dinheiro e diversas jóias de vítimas que deixavam seus objetos pessoais para serem purificados. A Polícia Nacional da Espanha diz que os brasileiros ofereciam serviços de vidência, astrologia e curandeirismo por meio de anúncios colocados nas ruas e em jornais.

Os clientes pagavam 50 euros pela primeira consulta com leitura de mãos, búzios e tarô e sempre ouviam que sofriam algum tipo de “negatividade”.

Para se curar e prosperar, era necessário cumprir tarefas que incluíam a purificação de seus objetos pessoais, começando pelas jóias.

Com essa estratégia, o grupo atuou em mais de 20 cidades nas províncias de Castilha e León, Extremadura, Andaluzia e Mérida, todas no sul da Espanha.

— Se moviam com rapidez —, disse o porta-voz da polícia nacional.

— Ao dizer que o trabalho de purificação duraria 24 horas, ganhavam tempo para fugir —, completou.
 
Doenças

Os brasileiros foram acusados também de delito contra a saúde pública por oferecer tratamentos de doenças.

Nas consultas, segundo a polícia, a quadrilha aproveitava para vender misturas de plantas e partes de animais como curas para infertilidade, problemas de pele, ossos e sangue e limpeza espiritual.

Segundo os detetives, as investigações para este tipo de fraude são “lentas e difíceis porque as testemunhas muitas vezes acabam convencidas de que denunciar esses falsos curandeiros pode atrair desgraças”.

— Quem procura este tipo de serviço é influenciável —, disse o porta-voz da polícia.

— Normalmente, pensa que é melhor não se envolver porque, em algum momento, esses videntes fizeram ameaças —, acrescentou.

A quadrilha é formada por membros de uma mesma família, que não tiveram seus nomes divulgados, e atuava na Espanha desde setembro de 2007.

Pelos crimes contra a saúde pública, os brasileiros podem ser condenados a penas de três anos de cadeia. A sentença pode incluir ainda mais dois anos por fraude, dependendo do número e da gravidade das denúncias.