Brasileiros não querem sair dos países próximos ao Iraque

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 18 de março de 2003 as 14:18, por: cdb

Dos cerca dos 20 mil brasileiros que vivem nos países próximos ao Iraque, poucos demonstraram até agora a intenção de deixar deixar a região por causa de uma eventual guerra contra Saddam Hussein.

A informação é de embaixadores brasileiros no Oriente Médio e em países próximos, como o Egito, ouvidos pela BBC Brasil. De acordo com o embaixador do Kuwait, Mário Roiter, cerca de 20 brasileiros que vivem no país (de um total de 200) procuraram a embaixada com a intenção de deixar o país, temendo um ataque. Todos saíram do Kuwait nas últimas semanas.

A situação é semelhante em Israel, onde vivem cerca de 11 mil brasileiros. Apenas duas crianças pequenas, filhas de diplomatas, deixaram o país. No Egito e na Jordânia, nenhum brasileiro demonstrou interesse em viajar, segundo a diplomacia brasileira.

As embaixadas nesses países têm telefonado constantemente para os brasileiros que vivem na região e disponibilizando serviços que oferecem informações 24 horas sobre a crise no Iraque e o impacto que uma guerra pode provocar nos países vizinhos.

Famílias

“Já tem alguns dias que ninguém mais demonstrou vontade de sair do Kuwait. Mas continuaremos à disposição, dando informações e apoio”, afirma Roiter, destacando, no entanto, que a situação ainda é bastante tranqüila no país.

“Acredito que quem queria deixar o Kuwait já o fez. Os brasileiros não têm intenção de deixar suas famílias e trabalhos aqui. Estamos vivendo dentro da maior normalidade possível”, diz Roiter.

O governo brasileiro anunciou que enviaria aviões para o Oriente Médio ou uma região próxima – provavelmente para o Egito – para levar brasileiros de volta ao país. No entanto, nenhum embaixador ouvido pela BBC Brasil vê necessidade na medida.

“Acho muito difícil a situação se desestabilizar na Jordânia, onde os brasileiros contabilizam 600. Estamos fornecendo todas as informações necessárias e estamos preparados para mandar quem quiser ir para o Cairo, no Egito, de barco. Mas acho que isso não será necessário. A Jordânia é um país bastante pacífico”, diz o embaixador brasileiro Sérgio Nabuco de Castro.

No Egito, onde vivem cerca de 200 brasileiros, a embaixada tem um plano concreto no caso de a guerra se estender ao país.

No último dia 12 de março, a embaixada enviou, por e-mail e por mala direta, a todos os cidadãos brasileiros registrados algumas instruções sobre como proceder no caso de um confronto.

O documento dizia que “a exemplo de outros conflitos regionais passados, especialmente a Guerra do Golfo, em 1991, não houve repercussões significativas no cotidiano da vida do Egito. O aeroporto, por exemplo, não fechou. Não houve maiores distúrbios de rua, nem desabastecimento. Mas deve-se ter em mente, todavia, a imprevisibilidade o conflito e a reação da população local ao mesmo tempo”.

A embaixada do Brasil no Cairo recomendou a tomada de algumas medidas preventivas.

“Evitar viagens a países próximos à área do conflito, manter distância de manifestações de rua, portar documentos que mostrem a nacionalidade egípcia ou brasileira, e acompanhar noticiários de rádio e televisão, principalmente de emissoras estrangeiras, divulgando as informações obtidas entre a comunidade brasileira no Egito”, recomendou o embaixador Celso Marcos de Souza.

O embaixador, no entanto, lembrou que o povo é bastante pacífico e os brasileiros, bem-vistos no Egito. “Dificilmente alguém será atacado”, acredita ele.

Israel

Em Israel, a embaixada criou um serviço especial de informações para os cerca de 11 mil brasileiros que vivem no país.

“Liberamos os dependentes dos diplomatas a deixarem Tel Aviv. Mas muitos não quiseram. Apenas duas crianças saíram”, disse o embaixador Sérgio Moreira Lima.

Segundo o diplomata, as recomendações que vêm sendo dadas aos brasileiros são as mesmas dadas pelo governo israelense aos seus cidadãos.

“Pedimos que todos sigam as recomendações do Ministério da Defesa, que está acostumado a agi