Brasileiros estão aderindo ao uso da camisinha, diz pesquisa

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Publicado segunda-feira, 1 de setembro de 2003 as 13:32, por: cdb

O uso da camisinha com parceiros eventuais cresceu de 64% em 1998 para 79,5% em quatro anos. A constatação é de uma pesquisa do Ibope realizada em janeiro deste ano em todo o território nacional, com 1.882 pessoas com mais de 14 anos. Os dados foram divulgados pelo Programa DST-aids do Ministério da Saúde.

Do total dos entrevistados, 69,2% disseram ser sexualmente ativos, o que corresponde a 85 milhões de habitantes. Desse percentual, 85% relataram ter parcerias fixas, contra 8% que teriam apenas parceiros eventuais. Já 7% dos entrevistados apresentam um parceiro fixo e outros eventuais ao mesmo tempo.

O uso do preservativo com parceiros fixos fica na faixa de 20% na última relação sexual. Número semelhante ao encontrado na pesquisa de 1998 do Ministério da Saúde (21%). Quando perguntados sobre o uso consistente do preservativo (uso em todas as relações sexuais), o índice cai para 11%.

A confiança no parceiro foi o motivo principal apresentado pelos entrevistados para dispensar o preservativo: 53%. O segundo motivo foi o uso de algum tipo de anticoncepcional (11%).

A pesquisa ainda aponta que o aumento da aids entre as mulheres está relacionado com a confiança no parceiro. Elas representam 52% das pessoas que só têm parceiros fixos, enquanto os homens respondem por 88% das pessoas que só têm parceiros eventuais. Entre os que têm os dois tipos de parceiros (fixos e eventuais), os homens também são maioria: 84%.

Os jovens de 20 a 29 anos são os que mais têm parceiros fixos e eventuais (44%) e apenas eventuais (40%). Os que estão iniciando a vida sexual (faixa de 14 a 19 anos) têm mais parcerias eventuais (25%) e também fixa e eventual (11%) do que apenas fixas (apenas 5%). Em compensação, 65% desses jovens usaram o preservativo na primeira relação sexual, o que indica maior consciência dos riscos de uma transmissão do HIV ou de outras doenças sexualmente transmissíveis (DST).

O percentual do uso do preservativo entre jovens é quase igual ao da Inglaterra (68%) e maior do que o de outros países desenvolvidos, como Canadá (58%), Alemanha (57%), Itália (52%) e Estados Unidos (51%). As pessoas com menos escolaridade (até a 8ª série do ensino fundamental) são as que têm vida sexual mais ativa, mantendo uma média de 5 a 12 relações por mês. São elas, também, as que têm o maior número de parcerias fixas (38% dos que têm até a 4ª série) e fixa e eventual (41% dos que têm de 5ª a 8ª série).

Na análise por regiões, as pessoas sexualmente ativas do sudeste relatam maior uso consistente do preservativo nos últimos seis meses do que nas demais regiões do país, tanto nas relações eventuais (67%) quanto nas fixas (13%). O menor uso do preservativo está nas regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste, média de 10% de uso com parceiros fixo e 50% com parceiros eventuais na última relação.