Brasileiro é astro do pólo aquático na Europa

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Publicado quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008 as 09:06, por: cdb

Há cinco anos o pólo aquático europeu ganhou um reforço brasileiro, o já ídolo Felipe Perrone. O sobrenome já é conhecido do esporte:seu pai, Ricardo, foi um dos pioneiros no país e seu irmão mais velho, Kiko,  um dos primeiros brasileiros a se aventurar na Liga Européia.

Depois de ser considerado um dos melhores jogadores da Espanha, este ano, foi contratado por um  time italiano. E, às vésperas dos Jogos de Pequim, o brasileiro naturalizado espanhol se vê bem perto de realizar seu maior sonho: conquistar uma medalha olímpica.

Felipe afirma que a situação dos praticantes do pólo aquático no Brasil não é fácil.

– Hoje no Brasil é impossível ter o pólo aquático como opção profissional. As ajudas que os atletas recebem do COB, através do bolsa-atleta, por exemplo, somente permitem uma dedicação parcial ao esporte. Mas, em 2003, com minha ida pra Espanha, onde o pólo é profissional, consegui ganhar dinheiro fazendo o esporte que eu amo praticar, afirmou.

O atleta lembra a influência do pai em sua opção esportiva:

– É uma influência positiva. Jamais me pressionou e sempre me ajudou. Essa cobrança nunca passou pela minha cabeça e nem foi mencionada direta ou indiretamente por ele. Pelo contrário, sempre me aconselhou. Na água, durante os treinos no Brasil, e pela internet, agora que estou na Itália, comentou. 

Felipe lembra que foi para a Europa em 2003, deixando a equipe do Botafogo para se integrar à do Barcelona.

– Meu irmão foi o pioneiro. Nos seus primeiro anos em Barcelona, tive a possibilidade de conhecer um pouco a realidade de jogar fora do país. Passava minhas férias escolares com ele. E apesar da possibilidade de me transferir, achamos melhor completar o 2º grau para depois começar essa nova vida. Então, em 2003, me transferi do Botafogo para o Barcelona.  
 
Sobre as diferenças entre os dois países no esporte, o brasileiro disse que são muitas, sempre beneficiando os atletas.

– Na Espanha, temos uma liga profissional de clubes. Isso permite que o atleta se dedique integralmente ao esporte. Além disso, há ainda uma grande ajuda do governo através do Comitê Olímpico que nos oferece, por exemplo: salários, redução de impostos, cotas em universidades e ajuda na inserção ao mercado de trabalho no fim da carreira.

Mas o jogador não esconde que há uma frustração por não defender as cores do seu país.

– Obviamente, preferia estar vivendo isso tudo defendendo as cores do Brasil. Mas a verdade é que tendo em vista a realidade do pólo aquático brasileiro e suas perspectivas futuras, não me arrependo. Tive esperança com o Pan-Americano, que foi um evento fantástico. Mas no esporte brasileiro, tirando alguns poucos como o vôlei, não há planejamento a médio e longo prazo. O objetivo é a medalha e ponto, e não levar a prática do esporte a toda população brasileira, gerando, conseqüentemente, a conquistas de medalhas.

Sobre sua atual atividade na Europa, Felipe observa, com entusiasmo:

– Este está sendo o meu primeiro ano na Liga Italiana, no RN Savona, a melhor liga do mundo e também a mais difícil. Está sendo uma experiência incrível como jogador. Com a seleção espanhola, obtivemos o 3º lugar no Mundial de Esportes Aquáticos, em Melbourne. Esse ano, temos o Campeonato Europeu em Málaga e os Jogos Olímpicos. Meu sonho desde pequeno sempre foi jogar uma Olimpíada. E jogá-la ainda com grandes possibilidades de medalha é a realização de um sonho. Na cidade onde vivo, Savona, o pólo aquático é considerado o primeiro esporte. Aqui, nós jogadores somos reconhecidos na rua.  
 
Apesar da saudade, uma volta ao Brasil não está nos planos imediatos do atleta. 

– Acho quase impossível. Para o Brasil conseguir crescer no esporte, é necessário um projeto a longo prazo. E, se um dia existir esse projeto, acho que já terei parado de jogar quando