Brasileira ganha 77ª corrida de São Silvestre

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Publicado terça-feira, 1 de janeiro de 2002 as 18:57, por: cdb

Maria Zeferina Baldaia, uma ex-cortadora de cana para uma usina de Sertãozinho, venceu a 77.ª edição da prova feminina da Corrida Internacional de São Silvestre – desde 1996, quando o topo do pódio foi de Roseli Machado, uma fundista nacional não ganhava a corrida. O fim da subida da Av. Brigadeiro Luís Antônio foi o carrasco da queniana Margaret Okayo, que chegou em São Paulo credenciada como a vencedora da Maratona de Nova York, em novembro, e teve de ser apoiada após cruzar a linha de chegada na Av. Paulista, para ficar com o segundo lugar.

Zeferina passou pela chegada acenando para o público, chorou de alegria e com uma bandeira enrolada nas costas comemorou. A fundista mandou uma mensagem para a sua cidade e seu filho, de 9 anos, que se chama Michael Jordan, batizado sob inspiração do astro do basquete norte-americano. “Michael, mamãe te ama. Viva Sertãozinho!”, afirmou Zeferina, de 29 anos, 1,58 m e 46 quilos, que treinou especificamente para a São Silvestre nos últimos cinco meses, correndo em solo de terra, na região dos canaviais de Sertãozinho, sob orientação do técnico Cláudio Ribeiro. Os treinos em pista, de velocidade, fez em Ribeirão Preto – não há pista na sua cidade.

Emocionada, falou com a mãe, Domingas, logo após a prova, por telefone, e ouviu que “Sertãozinho parou para ver e comemorar a sua vitória” nos 15 quilômetros, com o tempo de 52min12s. Maria Zeferina, que ficou com o prêmio de R$ 12 mil e um carro novo, autorizou a mãe a comprar comida e bebida para a festa que irá recepcioná-la. Amanhã, Zeferina ainda participa da festa de premiação, em São Paulo, antes de voltar para a sua cidade.

A queniana Margaret disse que foi justamente o fim da subida da Brigadeiro e o calor, por volta de 30 graus na hora da prova feminina, com alta umidade, que a derrotou. “Senti o desgaste nos últimos três quilômetros”, afirmou. A brasileira, ao contrário, comemorou a vitória à Marilyn Monroe, por seu filme Quanto mais Quente Melhor. Zeferina chegou a dizer “São Paulo está frio” e que até pegou uma gripe.

“Felizmente, não me atrapalhou.” Observou que está habituada a treinar, em Sertãozinho, sob o calor de 35 graus. Ainda acrescentou que ganhar a São Silvestre “era um sonho que tinha desde os 12 anos de idade”, quando começou a correr inspirada na portuguesa Rosa Motta, que ganhou seis vezes a edição da corrida de São Paulo.

Disse que as brasileiras não “precisam ter medo das quenianas” – as atletas que dominam as provas de fundo em todo o mundo. Segundo Zeferina, o segredo é justamente treinar tão forte quanto elas.