Brasil vende foguetes para a Alemanha

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Publicado sábado, 12 de julho de 2003 as 21:11, por: cdb

Os produtos espaciais fabricados no Brasil estão atendendo à demanda de países avançados. É o caso da Alemanha, que já comprou foguetes de sondagem do tipo VS -30 e deve encomendar outros 15 usados no lançamento de experimentos em microgravidade.
 
A informação é do diretor-geral do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), major brigadeiro-do-ar, Tiago da Silva Ribeiro, em palestra no Ministério da Ciência e Tecnologia.

O VS – 30 custa 250 mil Euros, o equivalente a cerca de US$ 300 mil, ou ainda, R$ 900 mil. Estão em fase de pesquisa mais dois foguetes, o VSB – 30 e o VS – 43, o último com valor próximo à casa do 1 milhão da moeda americana, ambos com potencial mercado de compradores.
 
A procura sinaliza o bom momento da tecnologia aeroespacial brasileira em foguetes. Ao lado da pesquisa para atender às necessidades nacionais, o interesse no mercado promissor representado pelas vendas ao exterior ajuda a mover o setor.

Outro ponto que desperta a atenção internacional é o Veículo Lançador de Satélites (VLS – 1), que já recebeu cerca de US$ 370 mil em investimento, e cujo terceiro vôo de qualificação está previsto para agosto.
 
Segundo Ribeiro, a expectativa é de sucesso no terceiro, dos quatro testes em vôo previstos para a sua certificação. Apesar da expectativa, o Brigadeiro não descarta a possibilidade de falhas, “inerentes a esse tipo de tecnologia”, ocorridas no primeiro e segundo testes de lançamento.

Além do VLS – 1, o CTA já estuda o VLS – 2, projeto em que já foram capacitados 18 mestres em propulsão líquida, formados na Rússia especialmente para esse fim. O veículo será produzido para atender satélites de sensoriamento remoto de até 600 kg de carga útil, a 1000 km em órbita equatorial.

Um dos objetivos do CTA é deter o conhecimento requerido para levar adiante as atividades espaciais do país e possuir uma “missão espacial completa”, como afirmou o Brigadeiro. Compõem essa missão bases de lançamento, veículos para tal e satélites.
 
A mais conhecida das bases é o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, de onde o VLS – 1 será lançado.

Existe também o projeto para a construção de um satélite geoestacionário, sobre o qual já foram realizados estudos de viabilidade técnico-econômica. Entre outras utilidades, seu funcionamento atenderia à demanda futura da aviação civil, principalmente em relação ao controle de tráfego aéreo.
 
Significa colocar mais aviões em rota, esperar menos tempo por uma viagem e obter rotas mais precisas, proporcionando menor gasto de combustível.