Brasil vai sacar parcela de US$ 4,1 bilhão do FMI

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Publicado segunda-feira, 17 de março de 2003 as 15:13, por: cdb

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Ilan Goldfajn, anunciou que o governo brasileiro vai sacar a parcela de US$ 4,1 bilhões a que tem direito na segunda revisão do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Os recursos – que vêm das linhas SRF e Credit Tranche – devem estar disponíveis ao longo desta semana. A taxa de juros das duas linhas, de acordo com Goldfajn, é de aproximadamente 4% ao ano.

Ele explicou que o governo decidiu sacar os recursos por precaução, pelo fato de o mundo estar vivendo um momento de aversão ao risco. Houve discussão sobre a questão ao longo da semana passada e, inclusive, no final de semana.

Ele também informou que não foi alterada a regra que estipula o limite de US$ 3 bilhões por mês para intervenções do Banco Central no mercado de câmbio. O piso de reserva líquida também foi mantido em US$ 5 bilhões.

Metas de inflação

Goldfajn afirmou que as metas de inflação pelo IPCA em 12 meses, previstas na segunda revisão do acordo do governo brasileiro com o FMI, são mais folgadas. Segundo ele, essa folga dá espaço ao Banco Central para qualquer eventualidade.

Ele enfatizou, no entanto, que a Política Monetária continua sendo guiada pela Carta do Banco Central ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Na carta, o governo se compromete a trabalhar com uma meta ajustada de inflação de 8,5% em 2003.

Ilan disse que, seguindo essa meta, os números de inflação serão menores do que os previstos no acordo com o FMI. “Provavelmente atingiremos números menores.”

Segundo ele, o governo não colocou no acordo a meta de inflação prevista até dezembro, porque as metas estabelecidas com o fundo só vão até setembro de 2003. “Não temos por que colocar dezembro”, disse ele.

Ao ser questionado se tivesse de colocar um número de inflação até dezembro no acordo, qual valor seria, Ilan respondeu: “colocaria 8,5%”. Ele afirmou também que, no último trimestre de 2003, que não consta do acordo, a inflação estará em queda acentuada.

Reservas

O diretor de Política Econômica do Banco Central disse também que a projeção de reservas brutas para 2003 presente no documento da segunda revisão do acordo, inclui a possibilidade do governo brasileiro fazer novos saques de recursos até setembro.

De acordo com o documento, a estimativa é que as reservas internacionais brutas fechem o ano em US$ 50 bilhões. O número é bem maior do que as projeções utilizadas pelo Banco Central, já que o BC parte do princípio, em seus cálculos, que não fará novos saques do FMI e poderá quitar parte do dinheiro já utilizado.

Ele disse ainda que essa projeção feita no acordo não altera a estimativa do governo brasileiro sobre o volume de recursos que deverão ser captados pela República em 2003. A projeção do Banco Central indica que serão captados este ano US$ 3 bilhões.

Para Goldfajn, no momento o governo brasileiro não vê necessidade de alterar o valor do piso das reservas internacionais definidas no acordo com o FMI. O valor é de US$ 5 bilhões. Ilan disse, no entanto, que sempre existe a possibilidade de se rever o valor desse piso, caso o governo identifique a necessidade de reduzí-lo. “Mas isso é acordado entre as partes. E no momento esse é o valor”, afirmou.