Brasil vai identificar todo o rebanho bovino

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Publicado quarta-feira, 9 de janeiro de 2002 as 18:42, por: cdb

Detentor do maior rebanho bovino do mundo, com 160 milhões de cabeças de gado, o Brasil dará início neste mês ao processo de identificação individual desses animais, conforme programa lançado nesta quarta-feira pelo Ministério da Agricultura. O programa, denominado de Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (SISBOV), deve facilitar o acesso a informações sobre o produto que chega à mesa do consumidor, agregar maior valor à produção nacional de carne e propiciar maior controle sobre doenças, como vaca louca e febre aftosa.

“Vamos ter dados desde o nascimento do animal até a porta do frigorífico”, disse o ministro da Agricultura, Pratini de Morais, lembrando que atual SIF (Sistema de Inspeção Federal) já possui este controle, mas apenas a partir da entrada dos animais nos frigoríficos. Pratini explicou que o programa será desenvolvido em etapas, devendo estar completamente até 2007. Primeiro atingirá os animais destinados à exportação para os países da União Européia (UE).

Há cerca de dois anos, os europeus vêm exigindo a adoção do sistema para evitar a disseminação de doenças que apresentam risco à saúde humana, como a doença da vaca louca e as empresas que exportam para a UE terão até junho para se adequar ao mecanismo. A partir daí, não poderão exportar para a Europa se os animais não apresentarem a identificação e o certificado de origem.

Conforme o programa, os exportadores que vendem carne bovina para outros países fora da UE terão que se habilitar até dezembro de 2003. Para os criadores de gado localizados nos Estados livres da febre aftosa (regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste) ou em processo de alcançar esse status, o prazo para se integrar ao programa é dezembro de 2005.

Para os demais Estados, o prazo limite é dezembro de 2007. O programa de identificação de bovinos e de búfalos foi elaborado em conjunto com o setor privado e será gerenciado pela Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, sendo que abaixo da estrutura oficial estarão as entidades certificadoras (sindicatos, empresas ou entidades de classe) – legalmente constituídas como pessoas jurídicas – que coletarão as informações referentes aos rebanhos, farão o cadastramento das propriedades e fornecerão o certificado de origem ao pecuarista.

Esses dados serão repassados a um banco de dados coordenado pelo Ministério da Agricultura. Os animais importados também terão que ser identificados, informando país de origem, propriedade de origem, data de entrada no País e guias de licença de importação e da propriedade para onde se destinam.