Brasil vai ajudar a Líbia para reforçar os laços diplomáticos

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Publicado quinta-feira, 19 de abril de 2012 as 08:33, por: cdb
Líbia
A nova Líbia vai necessitar de apoios na área da saúde e desarmamento

No esforço de aproximar o Brasil da Líbia, o governo brasileiro decidiu fazer doações, enviar especialistas e apoiar a realização de eleições parlamentares dentro de dois meses no país. Especialistas brasileiros que vão trabalhar na desminagem (retirada de minas terrestres) seguem para Trípoli, capital líbia, nos próximos dias. Também serão enviados técnicos em identificação de armas e doações de medicamentos antirretrovirais para o combate à aids.

Nos últimos dias, o vice primeiro-ministro da Líbia, Omar Abdelkarim, conversou com a presidenta Dilma Rousseff e o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, além de deputados, na tentativa de obter apoio para a reconstrução da região. Nas conversas, ele disse que a prioridade do Conselho Nacional de Transição (CNT), que controla o governo provisório, é a estabilização e reorganização do país.

Do lado brasileiro, segundo assessores que acompanharam as reuniões, Abdelkarim foi informado que os especialistas em desminagem são peritos das Forças Armadas que atuaram em Angola (África) e na fronteira entre o Peru e o Equador. O vice primeiro-ministro também soube que especialistas irão à Líbia para ajudar no trabalho de identificação de armas.

A ideia é que os peritos colaborem no processo de controle da proliferação de armas. Em 2003, ainda durante a gestão do ex-presidente Muammar Khadafi, a Líbia anunciou o início de um programa de não proliferação de armas na região.

O vice primeiro-ministro também foi informado pelas autoridades brasileiras que está em Trípoli um carregamento de medicamentos, no valor de R$ 1,2 milhão. Os medicamentos foram comprados por meio de uma ação conjunta de empresas brasileiras que atuam na Líbia – Odebrecht, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão.

Com as eleições parlamentares marcadas para 23 de junho, o vice primeiro-ministro pediu o apoio dos deputados brasileiros. O deputado Adrian Mousi (PMDB-RJ) se dispôs a cooperar na realização das eleições para a Assembleia Constituinte líbia, quando serão escolhidos 200 parlamentares.

Entenda a situação na Líbia
Em outubro de 2011, Muammar Khadafi, ex-presidente da Líbia por 42 anos, foi capturado e morto, iniciando nova fase no país. Após sete meses de conflitos em 2011, várias cidades foram destruídas, como Sirte (terra natal de Khadafi) e Brega. Há ainda instituições públicas desfeitas e empresas privadas estrangeiras que deixaram o país devido à instabilidade e à ausência de segurança.

Desde o fim do ano passado, a Líbia é governada pelo Conselho Nacional de Transição (CNT), formado por forças de oposição e com o apoio da comunidade internacional. Não há data prevista para a realização de eleições presidenciais. A prioridade do CNT é a estabilização e a reorganização do país.

A morte de Khadafi encerrou um longo período que alternou momentos de tensão e isolamento com a comunidade internacional. Depois de 2003, Khadafi retomou as articulações para se reaproximar da comunidade internacional. Porém, o processo de desgaste do seu governo acentuou-se por protestos e manifestações na região.

Localizada no Norte da África, a Líbia viveu intensos conflitos entre manifestantes, que reivindicavam o fim do governo Khadafi, com as forças leais ao governo. Em meio aos conflitos, houve a intervenção da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Manifestantes e integrantes das forças leais foram mortos. Os números são incertos.

A imprensa internacional não foi autorizada a entrar no país. Mas houve relatos de pistas e cidades bombardeadas, dificultando o acesso às pessoas e aos bairros. A cidade de Brega, localizada em uma das principais regiões produtoras de petróleo, foi atacada. Em meio aos confrontos, o então ministro dos Negócios Estrangeiros líbio Moussa Koussa fugiu para Londres, na Grã-Bretanha.

Em setembro de 2011, a comunidade internacional, reunida na 66ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos, autorizou a participação do Conselho Nacional de Transição (CNT) nas sessões e a bandeira da oposição a Khadafi foi hasteada. O Brasil apoiou a participação da oposição nas discussões nas Nações Unidas.

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