Brasil resiste a inspeções em usinas nucleares

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Publicado domingo, 28 de dezembro de 2003 as 11:53, por: cdb

Em reportagem publicada neste domingo, o jornal The New York Times afirma que o país proibiu as visitas irrestritas a inspetores internacionais às suas instalações nucleares. “Tudo que nós temos são alguns pequenos reatores”, afirmou Roberto Amaral, ministro da Ciência e Tecnologia, “é necessário se preocupar com o que acontece em outros países, não aqui”. amaral se referia ao Irã e a Líbia, países que recentemente aceitaram e submeter ao regime de inspeções surpresas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O Brasil, que tem o sexto maior depósito de urânio do mundo, anunciou que até o meio de 2004 pretende entrar para o seleto grupo de países produtores de urânio enriquecido e que, em uma década, pretende começar a exportar o produto. Segundo o ministro, o Brasil, como um país pacífico, não deve se submeter ao mesmo regime de inspeções. A questão entrrou no debate na comunidade internacional devido à conclusão de uma usina de enriquecimento de urânio que, segundo autoridades, estará pronta para iniciar a produção em março próximo.

Desde 1997, o Brasil fz parte do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, e permite visitas limitadas e controladas a suas usinas nucleares. Entretanto, o país se recusou a assinar o chamado “protocolo adicional” que autoriza inspeções específicas. Mark Gwozdecky, porta-voz da AIEA, disse em uma entrevista por telefone da sede da organização em Viena, “Estamos trabalhando há algum tempo com o governo e as autoridades do Brasil para desenvolver um regime de verificação adequado à nova planta”, mas a agência se recusou a fazer outros comentários.