Brasil pode ter missão comercial no Iraque

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Publicado sexta-feira, 5 de dezembro de 2003 as 15:23, por: cdb

O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, propôs ao presidente Luís Inácio Lula da Silva e ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que o Brasil abra uma missão comercial no Iraque.

Furlan disse que fazer isso agora é arriscado mas ressalvou: “Na hora que todo mundo for, provavelmente a rifa já correu”.

O ministro afirmou nesta sexta-feira no Líbano que o Brasil “também está querendo ajudar na reconstrução do Iraque buscando parcerias no mundo árabe”.

O governo acredita que essa estratégia possa ajudar as empresas brasileiras a superar as atuais dificuldades para participar do potencial mercado iraquiano.

Atualmente, o governo americano controla todos os negócios no Iraque e tem concentrado os gastos da reconstrução em fornecedores americanos e europeus, principalmente entre os aliados da coalizão americana na guerra.

Acordo

Um grupo de trading libanês entrou em contato com o governo brasileiro para tentar comprar armamento não-letal do país para vendê-lo ao Iraque.

O interesse é em equipamentos como capacetes, coletes à prova de bala e balas de borracha, provavelmente para uso policial.

O provável vendedor é a empresa Condor do Rio de Janeiro.

O negócio é o primeiro passo concreto dado durante a visita do presidente Luís Inácio Lula da Silva no sentido de utilizar países da região para fazer uma ponte de negócios com o Iraque.

Essa, aliás, é a intenção declarada do governo brasileiro.

A estratégia de utilizar países como o Líbano para ampliar a venda de produtos brasileiros na região não se resume apenas ao Iraque.

“O potencial para esse tipo de negócio (o da venda de armas não-letais) é enorme na região e o Brasil precisa aproveitá-lo”, disse o secretário do Itamaraty Norton de Andrade Mello Rapesta.

Segundo Rapesta, a maior parte dos mercados árabes é pequena individualmente por isso o Brasil tem como objetivo criar uma plataforma de exportação em um ou dois países da região para vender para toda a comunidade.

O projeto é de longo prazo mas, na opinião do governo, casos como o da Condor mostra que é possível obter resultados também no curto prazo.