Brasil perde exportações de produtos de alta tecnologia

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Publicado quarta-feira, 9 de janeiro de 2002 as 00:39, por: cdb

O Brasil vem gerando, desde 1994, saldos comerciais apenas em setores de demanda decrescente no comércio mundial, o que mostra que o País mantém espaços em mercados tradicionais, mas perde terreno em segmentos em evolução, como os de alta tecnologia, segundo mostra estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) concluído em dezembro de 2001.

De acordo com o estudo, “Exportações Líquidas e Substituição de Exportações”, realizado entre 1992 e 1994, o superávit comercial brasileiro era de 10% sobre o comércio total (exportações mais importações), sendo que, desse resultado, 9 pontos porcentuais eram gerados em setores de crescente demanda no mercado mundial, e um ponto era gerado em setores de demanda decrescente.

Entre 94 e 98, quando vigorou a sobrevalorização cambial, o Brasil viu os 9 pontos obtidos nos setores de demanda crescente despencarem para um déficit de 10%, enquanto o superávit de um ponto nos segmentos decrescentes se manteve. O superávit de 10% em 92 a 94 se transformou em déficit de 9%.

De 1998 a 2000, o déficit foi reduzido a 3% do comércio total, resultado de um déficit de 13% nos setores de demanda crescente e de superávit de 10% nos de demanda decrescente. A maxidesvalorização cambial de 99 ajudou os setores em declínio mas não foi suficiente para recuperar os demais, que não conseguiram evoluir para manter vantagens competitivas, segundo o estudo.

Os setores brasileiros exportadores de produtos de baixa ou média tecnologia tiveram uma grande retração nos saldos comerciais de 1992, quando o superávit era de 25% sobre o comércio total, até 2000, quando o superávit caiu para 7%. Os setores de média-alta e alta tecnologia, que tinham um déficit de 2% em 1992, passaram a ter um déficit de 10% em 2000, sobre o comércio total.

Assim, o superávit de 23% da balança comercial de 92 (soma dos produtos de baixa ou média aos de média-alta e alta tecnologias) transformou-se em déficit de 3% em 2000. De acordo com o estudo do Iedi, a “sobrevalorização cambial determinou uma enorme contração das exportações líquidas até de setores que não os de alta ou média-alta tecnologia. As condições adversas do comércio mundial entre 1998 e 2000 impediram resultados mais expressivos após 1999 (maxidesvalorização)”.

O estudo mostra, ainda, que sete setores mantiveram saldos comerciais positivos entre 1992 e 2000, apesar de, segundo o texto, “a política cambial de 1994/1998 ter restringido a capacidade de geração de saldos comerciais dos setores superavitários”. No entanto, os sete setores (matérias-primas, produtos florestais, agricultura tropical, produtos animais, cereais, intensivo em trabalho e intensivo em capital) somados tiveram queda de superávit no período, de 32,1% para 16,8%, porque “a desvalorização cambial de 1999 não foi suficiente para restaurar os níveis anteriores de exportações”. O setor que teve maior queda no superávit foi o intensivo em capital, que caiu de 9,4% em 1992 para 2,8% em 2000.

A abertura comercial nos anos 90 levou a déficits exagerados em setores como os de maquinaria, químicos e de petróleo, principalmente porque não foi acompanhada de uma política industrial e de competitividade, segundo o estudo do Iedi. Juntos, os três segmentos somaram, em 2000, déficit de 20,4% sobre o total do comércio (exportações mais importações) do País, o que resulta em US$ 23 bilhões.

Segundo o estudo, o setor de maquinaria inclui áreas em que o Brasil “adquiriu competitividade”, como aviões e indústrias automotiva e de eletro-eletrônicos. “A sobrevalorização cambial impedia que essas vantagens competitivas se traduzissem em saldos comerciais expressivos”, analisa o estudo. De acordo com o documento, depois da desvalorização cambial de 99, o setor automotivo, incluindo o de autopeças, voltou a ter saldos positivos e o de aviação (que está dentro do segmento “outros de transporte”) registrou “grandes superávits”.

O setor automotivo tinha superávit de 3,1% sobre o comércio