Brasil não apoia sanções políticas e econômicas contra projeto nuclear do Irã

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado domingo, 18 de abril de 2010 as 15:57, por: cdb

O Brasil não concorda com a imposição de sanções políticas ou econômicas contra o Irã como uma das fórmulas para resolver a polêmica em torno do projeto nuclear do país. Se forem fracas, as sanções não terão efeito e o Irã continuará convivendo com elas, como tem acontecido até agora. Por outro lado, se as sanções forem duras, acabarão atingindo a população iraniana mais vulnerável.

A posição brasileira sobre as pressões internacionais para que novas sanções sejam impostas ao Irã foi detalhada pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, durante entrevista coletiva neste fim de semana.

– O Brasil não acredita que sanções funcionem. Em vez de enfraquecer as pessoas que estão no poder, em geral [as sanções] as fortalecem – disse o chanceler.

Em fevereiro deste ano, o Irã anunciou que aumentaria o enriquecimento de seu estoque de urânio, passando de 3,5% para 20% o poder de gerar energia. Neste nível, o urânio pode colocar em funcionamento um gerador nuclear. O Irã diz que precisa de tal nível de enriquecimento do mineral para realizar pesquisas médicas. Se o nível de enriquecimento alcançar 95%, será possível construir uma bomba atômica.

A reação dos Estados Unidos (EUA) ao anúncio foi imediata. O Departamento do Tesouro anunciou que congelaria os bens mantidos em jurisdições dos EUA pertencentes ao general da Guarda Revolucionária Iraniana Rostam Qasemi e de quatro subsidiárias de uma empreiteira que ele comanda. Essa empresa foi atingida por sanções norte-americanas em 2007. O general e outras pessoas foram acusados de estar á frente de programas nucleares e de mísseis do Irã.

Os Estados Unidos fazem ampla campanha para convencer o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) a impor sanções ao Irã, ao mesmo tempo em que incentivam outros países a adotarem sanções multilaterais, numa tentativa de interromper o suposto avanço iraniano rumo ao enriquecimento do urânio para fins militares.

Segundo Amorim, se o Conselho de Segurança da ONU determinar novas sanções contra o Irã, o Brasil seguirá a determinação, como já aconteceu no passado.

– Tivemos de mandar embora uma empresa estrangeira que estava trazendo material de defesa iraniano, contrariando uma decisão adotada pela ONU. É preciso muita clareza com relação a isso: o Brasil não deixa de de cumprir as sanções determinadas pelo Conselho – disse o minisro.