Brasil e França buscam parcerias para o combate à Aids

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Publicado quinta-feira, 7 de outubro de 2004 as 09:18, por: cdb

O ministro da Saúde e da Proteção Social da França, Philippe Douste-Blazy, visitou nesta quinta-feira a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Rio de Janeiro, onde assistiu à assinatura de convênio entre o Instituto Pasteur e a instituição. Às 11h, no Palácio da Cidade, o ministro francês assinou protocolo de intenções com a prefeitura do Rio em diversas áreas da saúde.

Philipe Douste-Blazy e uma delegação de 12 técnicos franceses vieram ao Brasil para propor ao ministro Humberto Costa e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva acordos bilaterais na área de gestão hospitalar e pesquisa científica. Um dos acordos resultará na criação de um centro internacional de cooperação em HIV e aids que envolve o Brasil, a França e o Programa das Nações Unidas para a Aids (Unaids).

Outro acordo estabelecerá cooperação para reativar a pesquisa e a produção de anti-retrovirais no Brasil, o que resultará na retomada de produção da indústria nacional de medicamentos. A intenção é, além de abastecer o mercado interno, produzir os remédios para exportação a países com menor capacidade aquisitiva. O ministro Humberto Costa disse que vai conhecer mais profundamente os termos da proposta, mas adiantou que ela pode ser uma alternativa importante.

– Nessa proposta que nos foi formulada, o que vemos é que há possibilidade de transferência de tecnologia para produção de medicamentos e, a partir daí, (ativar) o processo de exportação”, afirmou Costa. Sobre a criação do centro internacional de cooperação técnica em HIV e aids, o ministro considera o projeto viável, já que o Brasil tem se “inspirado muito na política francesa para o controle da doença.

Para o coordenador nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids (DST/Aids), Pedro Chequer, a possibilidade de criação do centro “é concreta”. Segundo ele, uma das finalidades da instituição seria fazer com que o Brasil prestasse apoio aos os países de língua francesa na África. A idéia, de acordo com o coordenador, é do diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para a Aids (Unaids) e foi apresentada pelo ministro francês da Saúde ao presidente Lula na quarta-feira à tarde.

Com relação à retomada da produção de medicamentos anti-retrovirais por indústrias brasileiras, Chequer salientou que “é fundamental que o Brasil resgate a situação observada em 1997 e 1998, quando a participação (de indústrias nacionais na produção dos medicamentos) era maior”, disse. Hoje, o Brasil produz apenas 20% dos medicamentos anti-retrovirais que consome. A queda na produção, de acordo com Chequer, se deve à falta de estímulo à pesquisa para novos medicamentos.

– À medida em que os medicamentos (produzidos no Brasil) ficaram antigos, eles foram substituídos por novos – afirmou.

No início deste ano, um estudo publicado por uma agência francesa de pesquisa em aids, a ANRS, aconselhou o governo brasileiro a aumentar o investimento na pesquisa do princípio ativo dos anti-retrovirais, remédios usados no controle do vírus HIV. Caso contrário, o país correria o risco de, nos próximos anos, enfrentar dificuldades para importar essa matéria-prima de países como Índia e China.