Brasil e Espanha juntos em um projeto cidadão

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Publicado quarta-feira, 25 de setembro de 2002 as 20:47, por: cdb

A falta de recursos, viver numa família desestruturada e o consumo de drogas na adolescência são os motivos mais freqüentes para que crianças, adolescentes e/ou jovens brasileiros decidam abandonar sua casa e passar a viver na rua. Seis milhões de crianças e jovens passam o dia e a noite na rua, sobrevivendo como podem e enfrentado, não só os problemas cotidianos, mas também o pouco interesse do resto da cidadania e a violência que, com freqüência, sofrem da polícia.

Com a idéia de atender a estas pessoas, desenvolvendo sua auto-estima, auto-confiança e sentido de dignidade, foi formado no Brasil, o Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, que conta com a colaboração da Federação Catalã do Esplai. Há cinco anos, esta entidade leva a cabo um programa com educadores, cujo objetivo é intercambiar experiências e conhecer a realidade de boa parte da infância brasileira. Neste verão, 22 educadores catalães viajaram até o Brasil para colaborar com seus homólogos neste país.

Segundo o coordenador geral do intercâmbio, Xavier Vilas, “o propósito é formar os meninos e meninas através do jogo e da educação em valores, assim como ensinar-lhes quais são os seus direitos”.

Mesmo que a maior parte as crianças e adolescentes que perambulam pelas ruas das grandes cidades -como Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília – sejam meninos, os casos “mais dramáticos” acontecem com as meninas, “porque a dureza de viver na rua aumenta com as agressões sexuais, o desrespeito por parte da polícia, a prostituição e outros aspectos, tais como a dificuldade em manter a higiene corporal”.

A situação das crianças que vivem nas favelas não é melhor. Com freqüência, os educadores catalães e brasileiros adentram essas favelas para trabalhar com as crianças. “Muitas dessas são o que chamamos “aviões”, que entregam a droga a serviço dos comandos que controlam a zona”, explica o educador espanhol.

Apesar da magnitude do problema, os esforços por parte do governo nacional e das administrações locais são insuficientes. O projeto de intercâmbio da Federação Catalã do Esplai, se enquadra dentro de seu programa de solidariedade. Realizam trabalho de campo, sessões informativas, conversam com prefeitos de diversos municípios, saem para rua buscando as crianças e também entram em favelas para realizar estudos diretamente com as pessoas envolvidas na problemática.

Em seu retorno à Catalunha, os monitores participam de atividades de sensibilização e trabalham o tema com os meninos e meninas que seus centros juvenis acolhem.