Brasil e Argentina vivem boom de co-produções no cinema

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Publicado quinta-feira, 16 de setembro de 2004 as 14:26, por: cdb

Animados pelo sucesso da co-produção Diários de Motocicleta e pela renovação de um acordo de distribuição, profissionais de cinema argentinos e brasileiros estão estudando dezenas de projetos em conjunto.

Segundo Eva Piwowarski, secretária técnica da Recam (Reunião Especializada de Autoridades Cinematográficas e Audiovisuais do Mercosul e Países Associados), somente nos dois últimos meses, trinta projetos de co-produções cinematográficas chegaram às suas mãos.

A Recam é o órgão oficial do cinema do Mercosul, formado por representantes dos quatro governos do bloco e seus dois sócios – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, Chile e Bolívia.

Piwowarski disse que três novas co-produções já chegarão às telas dos dois países no ano que vem: La Mala Hora, de Rui Guerra, baseado na obra do colombiano Gabriel García Marquez, com co-produção argentina; Diário de um Novo Mundo, do brasileiro Paulo Nascimento, com co-produção argentina, uruguaia e portuguesa; A Família Rodante, do argentino Pablo Trapero, com co-produção brasileira.

“É a primeira vez que Brasil e Argentina estão cinematograficamente tão próximos. É um momento inédito, uma das melhores notícias do Mercosul e que também vem contagiando outros países vizinhos e sócios do bloco, como Peru, por exemplo”, afirmou.

Os projetos incluem roteiros sobre questões sociais nos dois países, documentários e romances. O “cinema sem fronteira”, como vem sendo chamada essa integração, especialmente entre o Brasil e Argentina, inclui ainda interesse de diretores argentinos em contar com artistas brasileiros nos seus filmes. E vice-versa.

Os filmes Central do Brasil, de Walter Salles, Cidade de Deus, dirigido por Fernando Meirelles, Carandiru, de Héctor Babenco, e Madame Satã, de Karim Aïnouz, exibidos no país, despertaram a curiosidade dos argentinos pelo cinema brasileiro, disse Eva Piwowarski.

O diretor argentino Marcelo Piñeyro, um dos mais premiados do país e responsável pelos filmes Plata Quemada e Kamchatka, entre outros, disse à BBC Brasil que causaram “surpresa” a alta presença do público e a aprovação da crítica brasileira ao cinema argentino.

“Não sabíamos que poderíamos ter filmes com tanta repercussão no Brasil”, afirmou ele.

Acordo

Em agosto do ano passado, os governos brasileiro e argentino assinaram convênio, no Itamaraty, assumindo compromisso de distribuição de oito filmes do Brasil na Argentina e oito argentinos nas salas brasileiras.

No mês passado, a iniciativa foi renovada, logo após lançamento de um Festival de Cinema Brasileiro, que termina nesta semana.

A Ancine (Agência Nacional do Cinema) e o Incaa (Instituto Nacional de Cine e Artes Audiovisuais) destinaram, por ano, R$ 560 mil e 560 mil pesos, respectivamente, para uma licitação que atraiu distribuidoras nos dois países.

“Agora, os distribuidores já ficam atentos aos filmes que podem chamar a atenção do público vizinho”, contou Eva.

Mas nem tudo são flores. “Não é fácil atrair a atenção do público para o cinema local ou do país vizinho. A presença e os milhões de dólares de promoção do cinema hollywoodiano são impossíveis de alcançar ou de deter”, admitiu o distribuidor argentino Luis Vainikoff, da Artkino Pictures.

Vainikoff distribuiu filmes brasileiros do último festival nas salas mais freqüentadas da capital argentina, o complexo “Village Recoleta”, em pleno centro do bairro turístico da Recoleta. Para ele, isso foi possível porque “aumenta” a “sede” dos argentinos pela produção brasileira.

Madame Sat