Brasil é a terra do software livre

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Publicado quinta-feira, 25 de dezembro de 2003 as 13:23, por: cdb

A paisagem do mar digital brasileiro não conta mais apenas com as embarcações das grandes empresas internacionais de informática, sediadas em maior parte nos EUA, que, como os galeões espanhóis do século XVI, retornam à Metrópole carregados com recursos das terras onde exercem domínio através da tecnologia. O Brasil, por exemplo, gasta anualmente 1 bilhão de dólares somente com softwares, ou programas para computador.

A novidade também não provém das esquadras sob a bandeira negra da pirataria, representadas pelos hackers e crackers, os filibusteros do ciberespaço que, como os corsários a mando dos reis de França e Inglaterra que interceptavam no Caribe as naus ibéricas recheadas de riquezas do Novo Mundo, quebram as defesas corporativas para fazer o botim de dados e informações confidenciais.

No entanto, a inspiração é semelhante. Trata-se da promoção do software livre, ou seja, a difusão no país de programas de computador que trazem a permissão para serem usados, copiados e distribuídos, em forma integral ou modificada. Sua contraparte, o software proprietário, limita-se à utilização do programa adquirido em um único computador, e a tecnologia em informática presente no artefato permanece vedada e impossível de ser aproveitada como base para outros desenvolvimentos.

A possibilidade de modificação, ao lado da autorização para a cópia, é a grande revolução trazida pelo software livre. Isto é possível porque, juntamente com o programa vem o código fonte, a “seqüência do DNA” ou “genoma” do software, que, ao tornar o fundamento da tecnologia acessível, permite a manipulação e adaptação daquela ferramenta às necessidades de quem usa. A este rompimento das restrições de propriedade chama-se copyleft.

Para a expansão do copyleft no país, o governo criou o Comitê Técnico de Implementação de Software Livre, que pretende promover o princípio da liberdade tecnológica como também fortalecer a indústria nacional e gerar emprego, através da economia com os gastos com programas de computador, do estímulo à formação de profissionais para desenvolver esta tecnologia e do próprio benefício que o setor produtivo nacional pode tirar as vantagens disponibilizadas por intermédio do software livre.

Os habitantes da cidade de São Paulo contam atualmente com cerca de 100 cibercafés gratuitos para que a população de poucos recursos possa ter acesso à internet. Os telecentros Paranavegar, como foram batizados, são montados a partir de softwares livres, baseados no sistema operacional Linux, o pioneiro do copyleft. Com isto a prefeitura economiza com as licenças de softwares e pode oferecer cursos de iniciação à informática com base nestes novos recursos. Outra iniciativa governamental é trazer para o Brasil a experiência do software livre Linex, usado na comunidade autônoma espanhola de Extremadura para os estabelecimentos educacionais públicos.