Brasil é 39º em segurança econômica, diz OIT

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Publicado quinta-feira, 2 de setembro de 2004 as 15:53, por: cdb

O Brasil aparece na 39ª posição em um ranking inédito da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que mede a segurança econômica em 90 países.

O índice, divulgado nesta quarta-feira pela OIT e adiantado pela BBC Brasil em junho, é um conceito desenvolvido pela OIT com base em sete critérios.

Entres esses critérios estão a segurança do mercado de trabalho (nível adequado de oferta de emprego), a segurança no emprego (proteção, por exemplo, contra demissão arbitrária), a qualidade das condições de trabalho (o que inclui a segurança física do trabalhador), treinamento profissional da população (nível de acesso a treinamento) e renda adequada.

O estudo define quatro categorias de segurança econômica para os países analisados: modelo, pragmático, convencional e muito a melhorar. Na média, o Brasil é classificado como convencional, mas em alguns itens, como treinamento profissional, está na pior categoria.

O Canadá é considerado um país modelo, enquanto vários dos países classificados como muito a melhorar estão na África e no Sudeste Asiático.

Treinamento

O índice tem como objetivo, segundo a OIT, ajudar os países a orientar suas políticas de inclusão e proteção social e foi desenvolvido por causa de um “crescente sentimento de insegurança social e econômica” no mundo, em parte gerado pela flexibilização dos mercados de trabalho e pela globalização.

O levantamento aponta que a maioria dos brasileiros que recebem treinamento profissional é de homens brancos e com bom nível educacional.

Segundo a OIT, o Plano de Qualificação Profissional (Planfor), introduzido pelo governo do país em 1996 para incrementar as habilidades de grupos considerados vulneráveis, “teve um sucesso limitado”.

Discriminação

“Ironicamente”, diz a OIT no capítulo sobre a América Latina, “em vários países da região as pessoas com baixo nível educacional foram as que mais disseram não ter recebido treinamento porque não queriam ou achavam que não precisavam”.

Segundo o estudo, no Brasil e no Chile, mais de dois terços dos trabalhadores não receberam treinamento nos últimos anos e metade desses disse que não queria obter qualquer treinamento.

O levantamento diz ainda que os trabalhadores no Chile estão mais cientes da discriminação contra a mulher do que aqueles na Argentina.

“Em contraste, trabalhadores no Brasil estão mais cientes da discriminação racial, indicando que o combate à discriminação racial deveria ser a principal prioridade.”

Em relação à América Latina, a OIT afirma que essa é a região com maior desigualdade em distribuição de renda.

Quando perguntados se o governo deveria prover a população pobre com uma renda mínima, os latino-americanos demonstraram apoio à idéia.

No Brasil, 86% disseram que sim. No Chile foram 85% e na Argentina, 79%.