Brasil ausente das competições no Festival de Locarno

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Publicado sábado, 30 de julho de 2016 as 19:20, por: cdb

Por Rui Martins, do Festival de Locarno:

O crítico Jean-Claude Bernardet é alvo de um documentário ficção-realidade em Locarno
O conhecido crítico de cinema Jean-Claude Bernardet é o tema de um documentário ficção-realidade em Locarno

Seria o caso de se perguntar – depois do futebol o cinema? Mas é verdade, não há nenhum filme brasileiro selecionado para as competições no Festival de Locarno que começará na quarta-feira. Mal refeito da má surpresa, logo nos chega outra: não há também nenhum filme brasileiro na Mostra de Veneza. Estranho porque ainda em maio, o cinema brasileiro concorria em Cannes, chegou a ser um dos favoritos, com Aquarius.

Será que o clima de decepção geral na política brasileira, envolvendo a esquerda nacional, atingiu os estúdios de cinema? Por certo a Petrobras não vai poder contribuir como antes para a produção de filmes, mas se ainda, em fevereiro, havia filmes brasileiros na mostra Panorama, no festival de Berlim, por que não apareceu nenhum filme bom para competir em Locarno e em Veneza?

Carlo Chatrian, diretor do Festival de Locarno, tenta me explicar não ser obrigatório haver filme brasileiro entre os selecionados. Mas continuo inconformado ao ver que o cinema português tem dois filmes na competição de longas e mais quatro na competição de curtas. Chatrian me explica haver a participação de produtores brasileiros em coproduções com Moçambique e Argentina. E que, embora fora de concurso, Júlio Bressane estará em Locarno com seu novo filme O Beduíno, na mostra Sinais de Vida. E me mostra haver um filme mistura de ficção com realidade, A Destruição de Bernardet, sobre o conhecido crítico francês-belga naturalizado paulistano, o Jean-Claude Bernardet, de Cláudia Pricilla e Pedro Marques.

Carlo Chatrian não sabe, mas a não seleção de filmes brasileiros foi mal recebida pela grande mídia, fui ao Google fiz várias buscas e nada absolutamente nada, só o Portal Brasil comemorando a presença de Bressane e algumas coproduções, mas sem falar no filme produzido por Kiko Goifman, sobre Jean-Claude Bernardet.

O resultado é que, pelo visto, só eu neste jornal, vai falar de Locarno do 3 ao 13, e comentar os filmes programados para o telão de 300m2 na Piazza Grande, assim como os filmes participantes da competição internacional. E você leitor vai sentir o sabor de estar lendo matéria exclusiva.

Por Rui Martins, que estará em Locarno do 3 ao 13 de agosto como convidado do Festival Internacional de Cinema.