BR desmente que crise da Varig afete a Petrobras

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Publicado terça-feira, 22 de abril de 2003 as 17:45, por: cdb

O jornal britânico Financial Times destaca em sua edição desta terça-feira que a crise da Varig, maior companhia aérea brasileira está cada vez mais longe de uma solução. Segundo o FT, credores da companhia, como a BR Distribuidora, Banco do Brasil e a Infraero, começam a desacreditar nos prazos concedidos pela empresa para a solução de suas pendências financeiras.

O jornal afirmou que o presidente da BR, Rodolfo Landim, teria ameaçado renunciar caso fosse obrigado a ceder mais “querosene gratuito” para a Varig, embora a informação tenha sido desmentida, ainda tarde de ontem. “A Varig é um bom cliente”, afirmou Landim, por intermédio de nota oficial divulgada pela BR.

“A dívida de longo prazo da Varig com a BR foi renegociada em janeiro de 2001 e contabiliza um saldo a vencer até 2006 e que está sendo pago. Além dessa dívida a Varig conta com outros R$ 40 milhões de linha de crédito. Quando o crédito é utilizado pela companhia aérea, a Varig passa então a pagar à vista pelo combustível fornecido, como tem feito normalmente nos últimos meses”, informou a BR, em comunicado.

Como obstáculo para fusão, o “Financial Times” destaca a diferença entre as culturas empresariais.

“A frota da Varig é fornecida pela Boeing, enquanto a TAM recebe aeronaves da Airbus – uma receita para o caos nos quesitos de contratos para leasing e manutenção. A TAM é considerada por muitos como um modelo gerencial eficiente e agressivo, enquanto a Varig é controlada pela Fundação Rubem Berta, uma entidade que oferece serviços sociais aos empregados da Varig”. cita a publicação inglesa.

O jornal publicou que a “TAM certamente seria o parceiro maior em uma fusão. Um esboço encaminhado recentemente aos conselheiros das companhias supostamente concederia à Varig 10% do novo grupo, sendo que 30% iriam para a TAM e para os credores restantes da Varig – entre eles diversos grupos estatais como o Banco do Brasil e a Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária”.

O “Financial Times” afirma que Yutaka Imagawa, presidente da Fundação Rubem Berta, opôs-se vigorosamente ao acordo. “O senhor Imagawa está convencido de que a Varig continua a ser viável e lutará até o último minuto para que ela permaneça de pé”, afirmou ao jornal Marcelo Ribeiro, representante da corretora Pentágono.

Para o jornal, Imagawa conta com dois trunfos. “O primeiro é o fato de que a presença da Varig em rotas internacionais – muitas delas lucrativas – seria demasiadamente importante para que a companhia fosse absorvida por uma nova empresa. O segundo são os oito mil postos de trabalho que seriam cortados com uma fusão – algo que o governo brasileiro fará de tudo para impedir”.