Bossa nova e funk da Mangueira conquistam público

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Publicado terça-feira, 16 de fevereiro de 2010 as 10:44, por: cdb

A Mangueira, última escola a desfilar pelo Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, cantou os ritmos mais famosos da música brasileira e levantou a Marquês de Sapucaí, como poucas escolas conseguiram, ao deixar a avenida no início da manhã de terça-feira.

Com o enredo “Mangueira é música do Brasil”, a verde-e-rosa contagiou a avenida com o refrão “chegou, a Mangueira chegou” e exaltou suas cores ao criar uma chuva de papel picado sobre as arquibancadas no início e no fim do desfile.

Para contar a história da música brasileira, a Estação Primeira abriu seu desfile com a bossa nova de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, homenageados com grandes esculturas em carros alegóricos.

A Jovem Guarda, o rock do RPM e dos Paralamas do Sucesso, o sertanejo e o baião foram outros ritmos apresentados na avenida, no enredo com o qual a escola espera melhorar a sexta posição do Carnaval passado e levar o título que não comemora desde 2002.

Conquistar a torcida mangueirense da Sapucaí foi a arma dos carnavalescos Jaime Cezário e Jorge Caribé, que apostaram num “super projeto”, porém tradicional, para honrar a história da Mangueira.

– Emoção. Carnaval é alegria, é emoção, é sentimento – disse Cezário a jornalistas antes do desfile.

– O enredo é emocionante. A Mangueira é uma grande emoção – completou.

Um dos destaques da escola foi a passagem da bateria pela Sapucaí. Os ritmistas fantasiados de compositores censurados foram encarceirados por agentes do regime militar, representando o período em que muitos artistas sofreram com a tortura, prisão e exílio.

A mistura entre funk e samba no Carnaval, já vista na avenida com a presença de musas funkeiras em outras agremiações, fechou o enredo da escola. Com direito à paradinha da bateria, que imitou as batidas dos bailes funk dos morros cariocas, o último carro alegórico mostrou esculturas de dançarinas “popozudas” gigantes e seus bumbuns inclinados.

Saudades de Noel

A Vila Isabel, considerada uma das favoritas, lembrou os 100 anos do poeta Noel Rosa com um desfile “leve e alegre”, como definiu o carnavalesco Alex de Souza, embalado pelo samba-enredo de Martinho da Vila, outra figura importante do bairro da zona norte carioca.

– Essa é a cara da escola – afirmou, satisfeito após o desfile.

A agremiação, que está atrás do seu terceiro título, lembrou a vida de Noel, que morreu com apenas 26 anos, e sucessos como “Com que Roupa” e “Fita Amarela”.

Em um dos carros que pintaram a boemia do bairro e de Noel, um dos integrantes, representando o garçom de um bar, distribuía chope arrancando sorrisos do público.

– É muito difícil controlar minha emoção. Noel não foi só música, transcende, foi atitude também – disse Martinho, presidente de honra da escola e que não assinava um samba-enredo há 17 anos.

Vila e Mangueira, que deixou a avenida também como uma das favoritas ao título, encerraram os desfiles do Carnaval carioca, que terá sua campeã conhecida na Quarta-feira de Cinzas. Unidos da Tijuca e Beija-Flor, que se apresentaram na noite de domingo, e Grande Rio, mais cedo na segunda noite, também foram escolas bem recebidas pelo público.

As seis melhores voltam à Sapucaí para o desfile das campeãs no sábado.