Bombeiros dizem já ter resgatado vítimas apontadas por parentes em explosão no Rio

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Publicado segunda-feira, 19 de outubro de 2015 as 11:47, por: cdb

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro:

O Comandante do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, coronel Ronaldo Alcântara, afirmou na manhã desta segunda-feira que não há mais reclamações de parentes ou conhecidos sobre possíveis desaparecidos nos escombros do prédio que desabou em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, após uma forte explosão durante a madrugada. Sete pessoas ficaram feridas e foram levadas para o Hospital Souza Aguiar.

Os proprietários da pizzaria informaram que usavam gás em botijão
Os proprietários da pizzaria informaram que usavam gás em botijão

– Não trabalhamos com a hipótese de ter mais alguém sob os escombros, porque não há reclamação nem de parentes nem de família, mas o protocolo a ser seguido é que a gente sempre leve em consideração a presença de outras pessoas e, por isso, vamos continuar o trabalho de resgate – disse o comandante sobre os trabalhos no edifício que desabou, onde funcionavam um restaurante, uma pizzaria, uma farmácia, além de 11 quitinetes em uma vila, no fundo do prédio.

A causa do acidente vai ser investigada pela Polícia Civil mas, segundo Alcântara, indícios já apontam para a possibilidade de ter havido um escapamento de gás. “Nesse momento, nosso trabalho é focado na busca de vítimas. A posteriori, vamos ver nos nossos registros se havia documentação legal ou não dos estabelecimentos (comerciais do prédio)”.

José Augusto Cabral, dono da loja Cabral Esporte, que fica ao lado do restaurante que explodiu, afirma que já havia denunciado a presença de botijões de gás no local. “Quando estourou a loja na cidade (Restaurante Filé Carioca, em 2011), liguei para o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, porque sabia que havia vários botijões ali dentro. Eu pensei: ‘esse troço vai estourar e vai levar tudo'”, conta.

Os proprietários da pizzaria informaram que usavam gás em botijão, mas que as instalações estavam de acordo com as normas de segurança.

Alex Soares Costa é dono da loja Utilar, vizinha da drogaria atingida. Sua loja teve parte do telhado derrubado no incidente, além de paredes danificadas. Morador da região, Alex Costa conta que ouviu o estrondo: “Ouvi um barulho às três horas da manhã e, quando desci, a loja já estava pegando fogo, essa tristeza aí. Eu tinha até marcado de encontrar um funcionário para fazer uma pequena obra porque nesta segunda-feira a loja não iria abrir, por ser Dia do Comércio. Por sorte, foi em um horário que não tinha ninguém”.

Alunos do Colégio Pedro II

A explosão em São Cristóvão, deixou as três unidades do Colégio Pedro II do Campo de São Cristóvão com as aulas suspensas e quase 4 mil alunos sem aulas, nos dois turnos. A explosão atingiu vidros e janelas das unidades. O prédio da reitoria foi o mais atingido. De acordo com o diretor-geral da Unidade São Cristóvão 2, Bernardino Paiva Matos, o subsecretário de Defesa Civil municipal, Márcio Motta, já esteve no prédio e disse que haverá uma vistoria de técnicos ainda hoje. Apenas depois da vistoria, a área será liberada para voltar às atividades.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, trabalharam no local da explosão, seguida de desabamento, cerca de 60 bombeiros de seis unidades: São Cristóvão, Central, Barra da Tijuca, Caju, Vila Isabel e Magé, 15 viaturas e três cães farejadores. Embora a possibilidade de haver outras vítimas já tenha sido praticamente descartada, uma varredura está sendo realizada no momento.

A Light, concessionária de energia elétrica do Rio, informou que desligou a rede elétrica a pedido do Corpo de Bombeiros por medida de segurança no trecho afetado pelo acidente em São Cristóvão.

De acordo com o Itaú-Unibanco, o prédio administrativo do banco, no Largo da Cancela, em São Cristóvão, está interditado para avaliação da defesa civil municipal e da perícia técnica. “O prédio está sendo avaliado, está em perícia”, informou por meio de nota.

O proprietário de onze quitinetes e um restaurante próximo ao local, Waldecir Galdino Araújo, 47 anos, é pai da menina Beatriz e contou como foi o momento da explosão. “Eu a abracei e ela gritava bastante, dizendo que estavam caindo algumas coisas em cima dela. Foi aí que eu consegui sair, para cavar um buraco possibilitando a minha filha respirar, porque se eu também tivesse ficado junto eu não teria conseguido. Depois ela falou para mim ‘Pai, eu não vou morrer agora. Ajuda minha mãe que ela deve estar precisando'”. A mãe de Beatriz foi retirada desmaiada dos escombros pelos bombeiros. “Graças a Deus eles conseguiram reanimá-la”, disse Araújo, aliviado.

Já o entregador Mauro Lopes, 44 anos, filho de Manuel Lopes, revelou que sua maior preocupação sempre foi com a vida de seu pai. “Eu gritava muito, pedindo socorro. Foi desesperador ouvir aquele estrondo e ver a parede vindo por cima da gente. Só pensava em não perder meu pai”. Bastante emocionado, Lopes disse não saber o que fazer a partir de agora.

– Realmente não sei. Perdi tudo! Documentos, roupas e outras coisas. Morava lá há 2 anos e não tenho nenhum outro lugar para ir. Mas eu tenho consciência de que foi um milagre. Uma explosão, dessa magnitude, não era pra ter sobrado ninguém.