Bolsa de NY estabelece regras para a relação com a mídia

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Publicado sábado, 23 de novembro de 2002 as 00:06, por: cdb

O que acontece se um jornal não imprime o que as firmas de corretagem e as bolsas de valores acham que ele deveria? A firma pararia de falar com os repórteres do jornal?

A Bolsa de Valores de Nova York acha que deve fazer isso e adotou uma regra para requere tal silêncio. Cabe à SEC decidir o que acontecerá.

A questão envolve conflitos de interesse de analistas. Depois que a bolha do mercado de ações estourou, os reguladores chegaram à conclusão de que não era bom para um analista vender uma ação sem mencionar que era dono dela ou que seu funcionário era o banqueiro de investimentos da companhia. Então eles decidiram que tais conflitos tinham que ser revelados.

Bastante justo. Mas para quem? Muitos investidores descobrem as opiniões dos analistas não através dos relatórios de corretagem, mas através da mídia. Então a Bolsa de Ações disse que as firmas tinham que ter certeza de que as informações eram passadas pelos programas que faziam entrevistas com analistas. Os produtores dos programas perguntaram sobre os jornais. E é assim que a nova regra surgiu.

Edward A. Kwalwasser, vice-diretor de um grupo da bolsa de valores e responsável pelas atividades de regulamentação, disse na quinta-feira que a regra se aplicaria a qualquer opinião dada por um analista, com ou sem uma recomendação para comprar ou vender uma ação. A observação de um analista de que uma companhia precisava aumentar suas vendas para jovens pode ser considerada uma opinião, então um artigo falando sobre isso teria que mencionar conflitos que pudessem existir.

Se não o fizesse, alertou a Bolsa de Valores às firmas participantes, a firma não deveria mais falar com o jornal, a menos que este aceitasse reparar as relações. “Só dissemos que se você continuar em determinada mídia, independente de qual for, você estará violando essas regras”, explicou Kwalwasser. As violações podem ser punidas com multas ou mesmo com a expulsão da indústria dos seguros.

As necessidades conflitantes da imprensa – obter informação – e dos reguladores – controlar informações enganosas – não são novas. O medo de que as ações possam ser espionadas por investidores inocentes era visto como um motivo para impedir os repórteres de ouvir o que as companhias diziam aos analistas. Mas a SEC, na presidência de Arthur Levitt, aprovou a regra, abrindo tal informação a todos.