Bolsa cai 13% e é suspensa na Rússia após prisão de bilionário

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Publicado segunda-feira, 27 de outubro de 2003 as 10:25, por: cdb

A Bolsa de Moscou registrou uma queda de 13% nesta segunda-feira, o que acabou forçado a sua suspensão, depois da prisão do presidente da companhia de petróleo russa Yukos, Mikhail Khodorkovsky.

O empresário, considerado o homem mais rico da Rússia com uma fortuna estimada em US$ 8 bilhões (R$ 23 bilhões), foi preso no sábado por agentes da serviço doméstico de inteligência (FSB, na sigla em russo) na cidade de Novosibirsk (Sibéria).

As ações da Yukos caíam 19% no momento da suspensão (6h30 em Brasília), depois de haverem perdido 11% de seu valor nos últimos dois dias de pregão.

A moeda russa, o rublo, também sofreu uma desvalorização nos mercados num momento em que os bancos russos se apressam para comprar dólares.

Investidores

As autoridades russas disseram que o magnata russo ignorou convocações para prestar depoimento na sexta-feira.

Promotores vêm investigando acusações de evasão fiscal e furto de propriedade do Estado por executivos da Yukos, em crimes estimados em US$ 1 bilhão.

A Yukos afirma que a investigação de Khodorkovsky tem motivação política.

Analistas advertiram que a prisão de um empresário tão proeminente e opositor político do presidente Vladimir Putin vai afugentar os investidores estrangeiros.

O embaixador dos Estados Unidos em Moscou, Alexander Vershbow, disse que os americanos estão preocupados com a prisão do empresário.

Afirmação de poder

Críticos dizem que a campanha é uma tentativa de o Kremlin afirmar seu poder sobre grandes empresários e mantê-los fora da política.

Vários dos maiores enpresários russos, inclusive Khodorkovsky, amealharam sua fortuna com privatizações de estatais em meados da década de 90.

Várias operações de compra foram criticadas porque as estatais acabaram sendo vendidas rapidamente a preços muito baixos.

Yukos, a maior empresa de petróleo da Rússia, está em processo de fusão com a rival Sibneft.

As negociações da ChevronTexaco e da ExxonMobil com a YukosSibneft foram suspensas até que a situação na Rússia fique mais clara.