Bolívia perde temporariamente negócio de exportação para os EUA e o México

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Publicado terça-feira, 23 de dezembro de 2003 as 02:38, por: cdb

O governo da Bolívia manifestou na última segunda-feira sua resignação pela perda temporária do bilionário negócio de exportação de gás natural para os mercados de Estados Unidos e México, que serão abastecidos pela Indonésia.

– Apesar de querermos exportar agora, não vamos exportar tão cedo. Vamos ter que fazer fila e esperar muitos anos. Provavelmente, não poderemos exportar até 2007, mesmo que o referendo (proposto pelo presidente Carlos Mesa para resolver a questão de exportar ou não o gás) tenha resultado positivo – lamentou o ministro de Desenvolvimento Econômico, Xavier Nogales.

A Câmara Boliviana de Combustíveis (CBH, por sua sigla em espanhol) deu por perdido o negócio com EUA e México, do qual praticamente dependia a estabilidade macroeconômica do país.
 
– Temos que seguir adiante (…) assim é a vida – disse o ministro, tentando amenizar a perda.

– No dia 18 (de dezembro), o Ministro da Energia da Indonésia assinou com os ministros de Energia dos Estados Unidos e do México o compromisso de fornecer gás à costa oeste através da companhia americana Sempra – disse.

De acordo com a CBH, que engloba seis poderosas petroleiras estrangeiras da Europa e dos Estados Unidos, a assinatura de um acordo entre um fornecedor indonésio e a distribuidora americana Sempra Energy, para abastecer a Califórnia e o México, minou a chance boliviana de exportar o produto para estes mercados.
 
A exportação do gás boliviano para os Estados Unidos, através de um porto chileno e em condições desfavoráveis para os cofres do governo, provocaram uma revolta popular contra o presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, que renunciou em outubro passado, após a morte de dezenas de manifestantes.

O Movimento ao Socialismo (MAS), do líder dos produtores de coca Evo Morales, radicalmente oposto à exportação do gás nas condições propostas pelo governo, qualificou a posição da CBH de chantagem e pressão para evitar a reformulação da atual legislação dos combustíveis.