Bloco denuncia corte de centenas de árvores pela Câmara do Porto

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Publicado sábado, 10 de março de 2012 as 11:40, por: cdb

A autarquia liderada por Rui Rio cortou centenas de árvores em várias zonas do Porto sem dizer nada à população. O Bloco de Esquerda quer saber a razão do abate e lembra que o Porto está bem abaixo da média europeia de áreas verdes públicas nas cidades.Artigo |10 Março, 2012 – 18:37Mais de cem árvores foram cortadas na Rua Engenheiro Ferreira Dias, na zona industrial do Porto.

A deputada bloquista Catarina Martins, em declarações à Lusa, lembrou que “há um ano quando houve outro corte de árvores, a autarquia prometeu avisar quando procedesse outra operação do género, mas “desta vez ainda são mais ruas de uma só vez e autarquia não diz nada”. Catarina Martins referiu as suspeitas de que o abate é feito “para tornar mais barata a manutenção, tendo em conta os efeitos que tem nos cabos e nos canos no subsolo e nos passeios”. Sobre a hipótese de que possa haver problemas fitossanitários, a deputada considera ser “uma coincidência estranha haver ruas tão diferentes, em sítios tão dispersos, com as árvores todas doentes”.

A ação de denúncia teve lugar este sábado no Largo Soares dos Reis e teve a presença dos deputados municipais do Bloco de Esquerda. Em comunicado, afirmam que “as cidades precisam cada vez mais de espaços verdes, árvores, jardins e parques, para controlo da humidade, para a termo-regulação e para fazer baixar a poluição atmosférica”. E defendem que “a cidade do Porto bem precisa de aumentar a capitação de área verde pública: atualmente ronda os 15 m2/habitante enquanto a média europeia é superior a 20 m2/habitante”. Segundo os dados recolhidos, só na rua Engº Ferreira Dias foram abatidas mais de 100 árvores. Na Avª Rodrigues de Freitas, aqui ao lado, foram cortadas 16 árvores. E também na Avª Paiva Couceiro e noutros locais da cidade foram abatidas mais algumas dezenas.

O Bloco recorda também que o Relatório do PDM de 2005 já apontava, “muito acertadamente, para a necessidade de aumentar a extensão dos arruamentos com árvores”, uma vez que apenas 16% de ruas estavam arborizadas. Os bloquistas do Porto questionam ainda se “foram apenas razões fito-sanitárias a justificar o corte de cada uma destas árvores? Ou a destruição foi também para diminuir o custo das empresas privadas na instalação de gás e de cablagens eletrónicas?”

Outro dos motivos do protesto foi o silêncio da Câmara sobre este novo abate massivo de árvores, quando a autarquia nunca teve tantos meios de comunicação ao seu serviço: “uma revista com uma tiragem de 135.000 exemplares (número muito superior ao de habitações na cidade), páginas na Net, painéis eletrónicos, comunicados de imprensa, cartazes, folhetos e até uma rede de TV privativa que entra pelas habitações camarárias sem pedir licença…”, refere o comunicado bloquista, que acusa Rui Rio de não usar estes meios “para a informação pública mas sim para fazer propaganda partidária” da coligação PSD/CDS.