Blair faz mea-culpa por Iraque para obter apoio de trabalhistas

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Publicado terça-feira, 28 de setembro de 2004 as 14:47, por: cdb

Tony Blair fez um pedido parcial de desculpas a seu partido na terça-feira por ter iniciado a guerra no Iraque, numa tentativa desesperada de reconquistar apoio antes das eleições marcadas para o próximo ano.

Mas com a morte de mais dois soldados britânicos no Iraque e de um refém sob ameaça de morte, a situação de Blair parece bastante ruim. Fica cada vez mais difícil para o primeiro-ministro trabalhista deixar para trás os últimos dois anos, que derrubaram seus índices de popularidade.

“As evidências sobre a real posse de armas químicas e biológicas por Saddam… mostraram-se errôneas”, disse Blair.

Foi o mais perto que ele já chegou de um mea-culpa.

“O problema é que eu posso pedir desculpas por uma informação que estava errada, mas não posso, sinceramente, pedir desculpas por ter derrubado Saddam”, disse ele. “O mundo é um lugar melhor com Saddam na prisão, e não no poder”.

O discurso de Blair foi interrompido duas vezes por manifestantes. Um deles gritou que o premiê tinha as mãos sujas de sangue. Outros protestavam contra os planos de proibir a caça à raposa.

Blair se concentrou em questões domésticas no discurso. Ele espera poder focar sua campanha nesses temas para conseguir um terceiro mandato nas eleições gerais, que devem ocorrer em maio. Mas, segundo seus assessores, ele sabe que isso não vai funcionar se ele não abordar a questão do Iraque.

O premiê justificou a guerra com a afirmação de que Saddam possuía armas de destruição em massa prontas para ser disparadas. A opinião pública, que já era contrária à guerra antes de seu início, ficou ainda mais insatisfeita com o fato de nenhuma arma desse tipo ter sido encontrada.

“Quaisquer que tenham sido nossos desentendimentos, devemos unir nossa determinação para ficar ao lado do povo iraquiano até que o serviço esteja terminado”, disse ele, acrescentando que as relações exteriores e a prosperidade interna são coisas indissociáveis.

“Se eu não me preocupar com essa ameaça terrorista, vai chegar um dia em que todo o nosso trabalho nas questões que determinam a vida das pessoas será perdido, porque a estabilidade da qual nossa economia … depende vai desaparecer”.

Blair também citou o refém britânico Kenneth Bigley, que foi sequestrado há 12 dias, e os dois soldados mortos em Basra na terça-feira. O irmão de Bigley vem acusando Blair de não agir o suficiente para exigir sua libertação.

Do lado de fora do prédio onde Blair discursava, cerca de 8.000 manifestantes protestavam contra o projeto para proibir a caça à raposa. Muitos estavam acompanhados de cães de caça.