Blair é chamado de “cachorrinho poodle da América”

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Publicado sábado, 22 de março de 2003 as 10:32, por: cdb

Londres amanheceu ensolarada, com temperatura alta e cara de verão. Contudo, o clima bom parece não surtir efeito no nervosismo da população após o choque dos dois helicópteros britânicos na noite desta sexta-feira.

Trafalgar Square, a praça central de Londres e onde a polícia britânica afirma ser o principal alvo de um ataque terrorista, está fechada. Nas ruas ao seu redor, nenhum carro circula. Uma grande manifestação está marcada para começar às quatro horas da tarde. O numero de policiais nas proximidades é grande.

A população já começou a se aglomerar. Muitas pessoas vieram do interior da Inglaterra para o protesto, como Sarah Grutiyunhe, 61 anos, que está com o rosto pintado de branco e diz que isso simboliza o desejo de paz. Questionada sobre a guerra, faz questão de dizer que já teve cinco parentes mortos em guerras passadas e teme pelo seu sobrinho, que faz parte das forcas britânicas no Golfo.

A grande pergunta dos manifestantes é com relação ao objetivo da guerra. Tony Blair é motivo constante de piadas e caricaturas, quando tem o seu nome envolvido ao de George Bush. Ele já foi chamado até de “cachorrinho poodle da América”.

Os manifestantes carregam grandes cartazes e faixas com dizeres como “Não em nosso nome” ou “Não é a nossa resposta”.

Do outro lado, para aqueles que apóiam a guerra. A artilharia se vira para os franceses. Parte da imprensa já chegou a tratar a França como se fosse inimiga da Inglaterra, por não dar o apoio que os ingleses pediram contra Saddam. Na quarta-feira, quando a França se negou a expulsar diplomatas iraquianos do país, vários jornais ligaram esse fato a uma “antipatia gratuita” por parte dos franceses. Na realidade, essa “rivalidade” já existia quando se falava desde futebol até a não admissão do euro na Inglaterra.

A previsão da imprensa local é de que a guerra dure menos que uma semana. Questionado sobre isso, neste sábado, o Secretário de Defesa do Reino Unido, Geoff Hoon, se recusou a especular sobre a duração da guerra no Iraque.

“Realmente não creio que seja sensato falar em termos de um cronograma”, disse Hoon. “Não estou no negócio de previsões”, acrescentou o secretário.

Em meio a expectativas de analistas de que os sucessos iniciais das forças militares lideradas pelos Estados Unidos poderiam significar o fim do conflito em alguns dias, Hoon disse que a “operação está ocorrendo de acordo com o plano”. “Em muitos aspectos, está indo mais rápida do que o plano”, afirmou.