Blair e Arafat acertam detalhes para a implantação de um estado palestino

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Publicado segunda-feira, 15 de outubro de 2001 as 11:26, por: cdb

Tony Blair e Yasser Arafat concordaram que “chegou o momento de reativar o processo de paz no Oriente Médio”, declarou o primeiro-ministro britânico ao final de uma reunião em Londres com o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat.

Nesse encontro Blair afirmou seu apoio a “um Estado palestino viável” dentro de um acordo geral com Israel que inclua “paz e segurança”.

Os palestinos acusaram Israel de matar um militante islâmico na segunda-feira, apesar da pressão dos Estados Unidos pelo fim da violência na região, que já provocou mais de 800 mortes em um ano e dificulta o fortalecimento de uma coalizão contra o “terrorismo global”.

Não está claro como Ahmed Marshoud, membro do Hamas (Movimento de Resistência Islâmica) foi morto. Os palestinos se dividem entre um ataque de helicóptero e um explosivo atado a seu carro. Israel, que buscava Marshoud, não comentou o incidente.

No domingo, os israelenses puseram em prática novamente sua política de caçar e matar suspeitos de atentados. Cada vez que isso acontece há reação internacional, especialmente no momento em que os EUA, aliados de Israel, tentam conseguir o apoio dos países muçulmanos aos bombardeios ao Afeganistão e às bases do militante de origem saudita Osama bin Laden, acusado de tramar os atentados de 11 de setembro contra Nova York e Washington.

Em Londres, o primeiro-ministro Tony Blair se preparava para encontrar na segunda-feira o líder palestino, Yasser Arafat. Seguindo os Estados Unidos, o Reino Unido declarou na segunda-feira apoio à criação de um Estado palestino.

O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, enfrenta também problemas domésticos. Um grupo parlamentar antiárabe de ultradireita decidiu abandonar a coalizão israelense de governo em protesto contra a decisão de suspender o bloqueio às cidades palestinas, uma medida de segurança contra atentados que estrangula a economia palestina.

Os sete deputados da União Nacional e do Yisrael Beitenu não são decisivos para Sharon manter a maioria parlamentar, mas podem iniciar uma crise política semelhante à que obrigou seu sucessor, Ehud Barak, a convocar eleições antecipadas em fevereiro passado.