Blair: “Destituir Saddam é um ato humanitário”

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Publicado sábado, 15 de fevereiro de 2003 as 14:16, por: cdb

Tentando apresentar um argumento moral contra o líder iraquiano Saddam Hussein, o primeiro-ministro britânico Tony Blair disse, neste sábado, que “não descartaria uma ação militar” contra Bagdad, mas encorajaria uma solução através da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Livrar o mundo de Saddam seria um ato humanitário e deixá-lo no poder é desumano”, disse Blair, em uma conferência do Partido Trabalhista, em Glasgow, na Escócia.

“É por isso que não deixo de lado a possibilidade de uma ação militar, que poderia ser realmente necessária”.

Mesmo com diversos líderes europeus declarando duvidar que o Iraque possua armas de destruição em massa, Blair permanece ao lado dos Estados Unidos, afirmando que Saddam é uma ameaça.

“Que ninguém esqueça duas coisas: qualquer pessoa familiarizada com as táticas enganosas de Saddam já percebeu que há um certo deja vu”, disse Blair. “Como sempre, na última hora, concessões são feitas”, continuou.

“E, as concessões são suspeitas, mas as armas, infelizmente, são reais”.

Blair enfrenta uma crescente batalha política para convencer seu partido, assim como a opinião pública britânica, que uma guerra no Iraque — mesmo com uma segunda resolução da ONU — é necessária.

“Espero que o Iraque possa ser desarmado pacificamente, com ou sem Saddam”, declarou Blair, cujos comentários acontecem um dia depois que os chefes dos inspetores de armas apresentaram seus relatórios ao Conselho de Segurança da ONU.

Após 11 semanas de inspeções no Iraque, os chefes dos inspetores informaram que não há evidência de armas da destruição em massa no país.

Três membros do conselho permanente da ONU com poder de veto — França, Rússia, e China — repetiram que são a favor da continuação das inspeções no Iraque e querem dar mais tempo para que os inspetores completem seus trabalhos. Já os Estados Unidos e a Grã-Bretanha insistem que o Iraque desobedeceu a resolução 1441 do Conselho de Segurança.

Essa resolução, aprovada por unanimidade em novembro passado, determina que o Iraque enfrentaria “sérias conseqüências” no caso de desobedecê-la, e tanto os Estados Unidos como a Grã-Bretanha opinam que isso já aconteceu, quando o governo iraquiano entregou um relatório de 12.000 páginas sobre os armamentos que o país possuía, considerado insatisfatório por Washington e Londres.

“Se mostrarmos fraqueza agora, se permitimos que o pedido de mais tempo se converta em uma desculpa para a negligência até que passe o momento de atuar, não será Saddam o único que a repetir a história”, declarou Blair.

“A ameaça, não somente de Saddam, crescerá, ao mesmo tempo que a ONU perderá sua autoridade e o conflito, quando acontecer, será mais sangrento”.